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sábado, 30 de maio de 2015

Leitura, oralidade e escrita: práticas linguísticas, sociais e pedagógicas

(Conteúdo 7)

  
          Historicamente, as práticas de Escrita e Leitura se configuraram como representações sócio-discursivas de diferentes classes . 
          A prática pedagógica faz uso de cartilhas, livros e manuais didáticos para instrumentalizar os exercícios de leitura e escrita em sala de aula. Entretanto, a escola mostra modelos de escrita, mas não consegue ensiná-los. A escola não prioriza: Quais são as condições atuais de leitura? Quem lê? Quem escreve? Para quê? Por quê?                    
          No exercício pedagógico das práticas de Leitura e Escrita há o apagamento (ou enfraquecimento) de sua mais importante característica: a interacionalidade dialógica – constitutiva da linguagem, seja oral ou escrita.                                                                                            O aluno não é levado a produzir textos e sim a reproduzi-los e sua autonomia e originalidade, na maioria das vezes, é podada e minada ao longo de seu percurso escolar. Portanto, não há troca, interação, mas apenas uma simulação desse processo entre professor e aluno. Em geral, o professor é sempre a boca (falante) e o aluno é sempre a orelha (ouvinte), sem que nunca troquem de papéis. E quando o aluno (re)produz, o professor não está interessado em sua produção, mas em se ele conseguiu reproduzir o modelo.                                                                
            Os sentidos que as crianças atribuem à escrita, seus esquemas de interpretação, são variados e dependem das experiências passadas, bem como dos conhecimentos adquiridos – a escola confunde falta de conhecimento com inaptidão para adquirir os conhecimentos acadêmicos, não reconhecendo o saber do aluno e rotulando-os: “os alunos fracos”, “os que não sabem”. Veja-se o texto, abaixo, em que a professora está interessada em se a criança decodificou a escrita, mas não está preocupada com a interpretação que a criança faz.
Apresentado por SMOLKA (1988, p.59).

A professora escreve na lousa:
"A mamãe afia a faca"
e pede para uma criança ler.
A criança lê corretamente.
Um adulto pergunta à criança:
- Quem que é a mamãe?
- É a minha mãe, né?
- E o que que é "afia"?
A criança hesita, pensa e responde:
- Sou eu, porque ela (a mamãe) diz: vem cá, minha fia.
A professora, desconcertada, intervém:
- Não, afia é amola a faca!"

          A criança é exposta a uma frase solta, descontextualizada, mas mesmo assim tenta levantar hipóteses, com base no uso que ela faz de ‘afia’ no seu contexto social e funcional. Vê-se que, como a criança já usa a linguagem (oral) e sabe que ela tem uma função, um sentido, ela fica confusa por não conseguir se subjetivar pelo “texto” que a escola apresenta.

Para melhor ilustrar como uma "frase solta" pode ter outras interpretações vindas dos alunos, assista ao vídeo abaixo:



Apesar de parecer uma pergunta "boba", a professora a faz sem primeiramente explicar o contexto , por isso o aluno se engana quanto á sua possível resposta.



Smolka (1988) questiona: “que escrita é essa que a criança aprende na escola que faz com que ela “regrida” quando escreve o que pensa? Assim se comprova, mais uma vez, que a escola ensina as crianças a repetirem e reproduzirem palavras e frases feitas. A escola ensina palavras isoladas e frases sem sentido e não trabalha com as crianças [na fase da escrita inicial], o “fluir do significado”, a estruturação deliberada do discurso interior pela escritura” (SMOLKA, 1988, p.69).                                                                                                                  

É devolvendo o direito à palavra ao aluno que talvez se possa um dia ler a história contada, e não contida, da grande maioria que hoje ocupa os bancos das escolas públicas. “E tal atitude, parece-me, dá novo significado à questão “como avaliar redações?” apontando, no mínimo, para critérios diferentes daqueles que reprovaram o autor do texto, e aprovaram o “autor” da redação.” (GERALDI, 1985, p.129).
              É preciso não perder de vista que o autor/sujeito emerge do discurso na escritura, e o professor enxergará isso, observando as marcas, delineando as pistas e trabalhando a leitura e escritura como práticas discursivas. Não se trata apenas de ensinar (no sentido de transmitir) a escrita, mas de usá-la como interação e interlocução na sala de aula, experimentando a linguagem nas suas várias possibilidades. 
          Considerando a proposta da autora, vejam-se dois textos (apresentados por Smolka) em que se podem reconhecer todos esses aspectos por ela apontados, relacionados ao trabalho com o texto literário e o processo de subjetivação da criança, através da leitura/escrita.


[A minha irmã parece o Janjão e eu não gosto dela... ela mexe quando eu tô brincando de carrinho ela não deixa eu brincando de carrinho porque ela não gosta que eu não "brinco" com moleque de rua. Mas eu vou na rua, eu bato nela e eu vou, bato, e a minha mãe bate em mim e vou dormir. Depois que eu acordo, quando meu pai chega, eu falo pra ele, ele bate nela. Eu gosto quando meu primo bate nela. Eu dou risada. Acabou "dessa" folha]

[A galinha foi na feira com o galo. Ela beijou o galo. Ela passou "boca louca". O pintinho falou: "Olha o namoro!" O galo falou: "Porque a sua mãe é bonita demais!" A galinha falou: "Você também é". O galo falou: "Obrigado". A galinha falou: "Obrigado, você". O galo: "De nada". O galo deu um 'boca louca" para ela. O pintinho bicou o galo, o galo pegou os pintinhos no couro e o galo casou com a galinha e os dois foram passear no bosque. A galinha ficou contente. Os pintinhos ficaram chorando.]


A atividade abaixo( para sala de aula) estimula a leitura, a oralidade e a escrita.







Bibliografia:


BRITO, P.L. Em terra de surdos-mudos: um estudo sobre as condições de produção de textos escolares. In: GERALDI, J.W. (org). O Texto na sala de aula. Cascavel: Assoeste, 1985.
MOLKA, A.L. A criança na fase inicial da escrita. S. Paulo:Cortez, 1988.


GERALDI, J.W. (org). O Texto na sala de aula. Cascavel: Assoeste, 1985, p.109-119.

(Letícia M. Goulart)

Diferenças e Características da Fala e da Escrita:   diferentes níveis de formalidade, organização e variação.

(conteúdo 5)

           A Fala e a Escrita são duas modalidades de uso da língua que se utilizam do mesmo sistema linguístico, mas têm suas próprias peculiaridades. Isso não significa que uma é superior a outra.
           Conforme Koch, (1997), alguns autores a partir da década de 60 consideraram a dicotomia entre as modalidades FALA e ESCRITA, atribuindo a cada uma características particulares.  Koch afirma que tais características refletiam uma visão preconceituosa e centrada no modelo da escrita formal padrão. Veja as tabelas abaixo para maior entendimento sobre a FALA e a ESCRITA:

FALA
ESCRITA
Contextualizada
Descontextualizada
Implícita
Explícita
Redundante
Condensada
Não-planejada
Planejada
Predominância do “modus pragmático”
Predominância do “modus sintático”
Fragmentada
Não-fragmentada
Incompleta
Completa
Pouco elaborada
Elaborada
Pouca densidade informacional
Densidade informacional
Predominância de frases curtas, simples e coordenadas.
Predominância de frases complexas e subordinadas
Pequena freqüência de passivas
Emprego freqüente de passivas
Poucas nominalizações
Abundância em nominalizações
Menor densidade lexical
Maior densidade lexical

















         Em linhas gerais, é possível considerar que essas características não são exclusivas nem de uma nem de outra modalidade e que elas foram estabelecidas a partir dos parâmetros da escrita por visão preconceituosa que discriminava a fala. É mister entender que a fala possui características próprias:
1) não-planejável”. Ela precisa ser apenas “localmente planejável”.
2) ela é o seu próprio rascunho (não tem como passa-la a limpo, pois o que foi dito , não tem volta, apenas reparação.
3) Descontinuidades frequentes no fluxo discursivo,
4) Sintaxe característica ligada, de certa forma, à sintaxe geral da língua.
5) Fala é processo, portanto, é dinâmica.

           O texto falado não é caótico, ele tem uma estrutura própria que se pauta a partir de sua produção. É nesse sentido que deve ser descrito e avaliado. No processo de produção do texto falado, os interlocutores estão num mesmo tempo e espaço físico (salvo exceções como telefone, rádio e outras possibilidades de conversação oral à distância que a tecnologia oferece).

I. QUESTÃO DE REFERÊNCIA:
 na oralidade muitas vezes os referentes são recuperados no próprio contexto (basta apontar, por exemplo), dispensando assim que os falantes precisem explicitá-os sempre. Mas na escrita não é bem assim, pois por ser não-presencial há a necessidade de explicitar sempre os referentes, através das marcas lingüísticas.

II. REPETIÇÕES: no texto falado, a repetição é muito freqüente, aliás ela é um dos seus mecanismos de organização, desempenhando funções didáticas, sintáticas, argumentativas, enfáticas etc.

III. USO DE ORGANIZADORES TEXTUAIS: são continuadores tópicos da fala, por exemplo: e, aí, daí, então, daí então etc: Os textos das crianças são ricos em organizadores textuais típicos da oralidade.

IV. JUSTAPOSIÇÃO DE ENUNCIADOS SEM MARCA DE CONEXÃO EXPLÍCITA:
 é comum, nos textos, enunciados justapostos, sem elementos explícitos de conexão, ligação ou transição. O sujeito que está adquirindo a modalidade escrita, ainda não aprendeu os mecanismos sequenciadores próprios dessa modalidade e mistura à escrita o padrão oral. Exemplo: “Entraram na gruta com lanterna primeiro foi o leão muitos tigres e onças depois foi milhares de cobras.
 
V. DISCURSO CITADO:
 o discurso citado é manifestado prioritariamente no estilo direto que o mais freqüente na oralidade, em geral, sem a presença de um verbo que introduza a fala do outro (fulana disse:, fulana resmungou:, fulana gritou:). O sujeito ainda não aprendeu os mecanismos seqüenciadores próprios da modalidade escrita e mistura a ela a estrutura mais típica da oral que é a que ele melhor conhece.

VI. SEGMENTAÇÃO GRÁFICA:
 também é comum que a segmentação gráfica, em textos de sujeitos iniciantes na modalidade escrita, seja feita em função do que ele ouve. É curioso notar que a criança, por vezes, tentando acertar a segmentação gráfica adequada, acaba dividindo no meio algumas palavras ou juntando outras numa só!

VII. GRAFIA CORRESPONDENTE À PALAVRA:
 ou seqüência de palavras tal como pronunciadas oralmente, isto é, reproduzindo o que a criança ouve.

VIII. CORREÇÕES FEITAS DA FORMA COMO SE FAZEM NO TEXTO ORAL:
 assim como na fala, o sujeito não apaga ou risca a forma que considera inadequada, mas justapõe a esta a forma corrigida. 

I. Fala x escrita - a perspectiva das dicotomias:

FALA = contextual, implícita, redundante, não planejada, imprecisa, não normatizada.

ESCRITA = descontextualizada, explícita, condensada, planejada, precisa, normatizada.

           Para um resumo breve sobre LINGUAGEM ORAL e ESCRITA , o video abaixo é recomendado :


II. Oralidade x letramento ou fala x escrita:

ORALIDADE: prática social apresentada sob várias formas ou gêneros textuais em sua diversidade de uso formal e contextual.
                                               

FALA: forma de produção discursivo-textual oral que dispensa um aparato técnico, necessitando, apenas, dos recursos próprios ao ser humano.

LETRAMENTO: uso social da escrita que vai de uma apropriação mínima da escrita até uma utilização científica dela.


ESCRITA: tecnologia de representação abstrata da fala e produção discursivo-textual com especificidades próprias.


III. Oralidade e escrita no contexto das práticas sociais:  na civilização contemporânea Marcuchi considera a relação entre “vida cotidiana” e os fenômenos da fala e escrita. O texto seria, então, uma prática social e não um artefato linguístico.
          A escrita, enquanto prática social, tornar-se-ia indispensável. Em relação ao uso da língua (fala e escrita) as práticas sociais têm o seu lugar, papel e grau de relevância de ambas as modalidades na sociedade – eixo de um “continuum” sócio-histórico-tipológico e até morfológico.

Resumindo:

èHOMEM = naturalmente um “ser que fala” e não um “ser que escreve” – a escrita é derivada e a fala é primária.
èFALA = prática social do dia-a-dia.
èESCRITA = prática de um ambiente formal - escola (o que lhe confere prestígio).

          A escrita permeia hoje praticamente todas as práticas sociais das comunidades em que se insere sob a forma de “letramento”. Os objetivos e ênfase do uso da escrita variam de acordo com os contextos em que se inserem: a “apropriação / distribuição” da escrita e da leitura (padrões de alfabetização), e os “usos / papéis” da escrita e da leitura (processos de letramento). Mesmo as pessoas analfabetas também estão sob a influência das estratégias da escrita em seu desempenho oral.
             A escrita passou a ter um “status” bastante singular no contexto das atividades cognitivas em geral. Deve-se distinguir, então:

·LETRAMENTO: processo de aprendizagem sócio-histórica da leitura e da escrita em contextos informais e para usos utilitários.

·ALFABETIZAÇÃO: domínio ativo e sistemático das habilidades de ler e escrever.

·ESCOLARIZAÇÃO: prática formal e institucional de ensino que visa a uma formação do indivíduo, sendo que a alfabetização é apenas uma das atribuições/atividades. (cf MARCUSCHI, 2007a).

           Muitos são os usos de oralidade e escrita em nossa sociedade os diferentes usos possibilitados através de diferentes mídias e tecnologias, além da própria voz e do código escrito, põem em contato / interação / dialogismo diferentes subjetividades, em diferentes espaços sociais:

·homem/mulher                                      ·patrão/empregado
·pai/filho                                                  ·professor/aluno
·padre/fiel ( entre outros)
                                                                                  
           A história do uso da escrita e da alfabetização ocidental é descontínua e contraditória. A alfabetização instituída dá-se de preferência sob o controle do estado, orientando-se por seus objetivos. Assim a aquisição da escrita é um fenômeno “ideológizavel”. A fala é contínua no dia-a-dia e a oralidade tem lugar em seus diferentes contextos e usos sociais.
  
V. Fala x escrita – perspectiva variacionista: tal visão trata do papel da escrita a partir dos processos educacionais e da variação na relação língua padrão e não-padrão em contextos de ensino formal. Modelos teóricos baseiam-se no “currículo bidialetal”. Não há dicotomias, verificam-se as regularidades e variações:

*Língua padrão 
 *Variedade não-padrão
*Língua culta 
 *Língua coloquial
*Norma padrão 
 *Norma não-padrão

          Para Marcuschi fala e escrita não são dialetos, mas “modalidades” de uso de língua. Nesse sentido o aluno se tornaria “bimodal”.

VI. Oralidade x escrita – a perspectiva interacional: esta perspectiva trata das relações entre fala e escrita, considerando o “continuum” textual. É a visão interacionista, cujos fundamentos baseiam-se em:

·Relação dialógica no uso                                           ·Estratégias de linguagem
·Funções interacionistas                                             ·Envolvimento e situacionalidade
·Formulaicidade

VII. Concepção e funcionamento da língua – consequente relação fala / escrita: 
          A língua (seja oral ou escrita) reflete a organização da sociedadeuma vez que se relaciona com as “representações e as formações sociais”. Entretanto, a fala e a escrita representam formas de organização da mente através das próprias representações mentais. 

          ***Atividade para demonstrar aos alunos na prática as diferenças entre a Linguagem Falada e Escrita.

1- O professor escolherá um um texto com relatos de um acontecimento do dia-a-dia. Como por exemplo a história de um dia ruim que alguém teve;
2- Serão escolhidos três alunos para essa demonstração;
3- A professora lê a história inteira para o aluno "A", enquanto os alunos "B" e "C" esperam do lado de fora;
4- Depois o aluno "A" sem ajuda do texto contará a história para o aluno "B", que depois fará o mesmo com o aluno "C".
5- Ao fim da atividade , com o aluno "C" recontando o que lhe foi passado , os outros alunos que acompanharam as três formas diferentes de contar a história verão as diferenças entre a língua falada e a escrita .


REFERÊNCIAS:

KOCH, I. V.  O Texto e a Construção dos Sentidos. São Paulo, Contexto, 1997, p.61-64. 
MARCUSCHI, L. A. Oralidade e Escrita. Recife/UFPE, Mimeografado,1995.
Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 7ed. São Paulo: Cortez, 2007

(Letícia M. Goulart)

Construindo sentidos no texto : Organização estrutural e processamento textual

(Conteúdo 3)

Sentidos no Texto
Todo texto para ter sentido precisa ser dividido em duas partes: Processamento Textual e Organização estrutural, cabe ao produtor do texto organizar as idéias dentro dessas teorias para que o texto seja de fácil compreensão.
Processamento Textual 
O texto deve sempre ser entendido como um processo. Quando escrevemos um texto, toda ação precisa ser acompanhada por processos cognitivos. O produtor do texto precisa ter certos conhecimentos para que o que ele está produzindo tenha um conteúdo e uma boa definição do que está tentando passar, o que chamamos de conhecimento de memória, pois são fatores tirados da mente de quem escreve e é passado para as palavras, além de ser difícil escrever um texto bom sem usar sua carga de experiência e conhecimento, o que é em um texto enaltece um todo.
Segundo estudiosos o conceito do processamento textual se dividem em três grandes sistemas de conhecimento, que são responsáveis pelo processamento textual:
1)      Linguístico: Corresponde ao conhecimento da gramatica que o autor possui. Esse conhecimento que será importante na escolha das palavras a serem usadas, inclusive no uso dos elementos coesivos. Afinal, um texto com um bom vocabulário é tido por muitos como um texto bem escrito.
2)      Enciclopédico ou de mundo: Corresponde às informações armazenadas na memoria de cada individuo, é um conhecimento que abrange tudo pelo que o produtor do texto já passou, já leu ou já refletiu. Seja situações histórias ou uma simples conversa com outra pessoa, tudo pode ser usado em um texto, seja para comparação ou um embasamento.
3)      Interacional: Corresponde aos meios de linguagem e ações escritas pelo produtor, que são divididos em três tipos de conhecimentos:
a.       Ilocucional:Reconhece os objetos pretendidos pelo autor do texto, deixando claro quem são personagens e o que são os locais usados, tendo um papel de situar o leitor segundo a intencionalidade do autor.
b.      Comunicacional: É a quantidade de informação necessária para que o leitor seja capaz de reconstruir um objeto após a leitura de um trecho, ativando seu conhecimento de mundo.
c.       Metacomunicativo: É aquilo que permite assegurar a compreensão de um texto por parte do leitor, fazendo uso do contexto para um bom entendimento do leitor sobre o tema pretendido pelo autor.
d.      Superestrutural:É o que denota que tipo de texto que está sendo lido, seguindo uma fórmula certa para cada tipo textual.

Organização Estrutural
Este é um conceito que para alguns autores se orientam a partir de três níveis estruturais e inter-relacionáveis entre si: Superestrutural, Macroestrutural e microestrutural.
     1)      Superestrutural: Se refere tanto às estruturas textuais globais que permitem o reconhecimento dos gêneros ou tipos, como também envolve o conhecimento sobre estratégias esquemáticas cognitivas relacionadas à significação global da base textual. São estratégias facilitadoras na produção de textos que acionam na memória o conhecimento armazenado.
      2)      Macroestrutural: Conceito referente à coerência textual, o conhecimentos responsável por construir a significação global no texto através dos processos de produção e compreensão textual analisados numa leitura. A construção da coerência textual depende da organização feita pelo autor, por exemplo: Linguística, cognitiva, sócio cultural, interacional e pragmática. Platão & Fiorin definem a coerência textual como o que diferencia um texto de um aglomerado de frases.
       3)      Microestrutural: São as relações coesivas lineares que dizem respeito ao modo como esses elementos estão presentes no texto. Construída através de mecanismos gramaticais, que definem as relações entre frases e sequencias de frases.
    
       ( Eliezer Rocha )

O Nascimento de uma linguística do texto

( Conteúdo 2)

Da frase ao texto.
As três fases da construção da linguística textual.
É importante lembrar que o conceito de “Linguística” como a ciência da linguagem.
O início da linguística estrutural vem do final do Sec. XX com base nas ideias do letrista suíço  Ferdinand Saussire.

Mas partir da década de 60, surgem os novos campos teóricos da linguística, na maioria deles em franca ruptura com algumas das ideias do estruturalismo linguístico, por exemplo:
A sociolinguística;
A neurolinguística;
A pragmática;
A análise do discurso;
E especialmente a Linguística Textual, entre outros campos.
Em função de seu crescente avanço, desenvolvimento e sucesso, a Linguística Estrutural acabou chamando a atenção de outros olhares teóricos também relacionados à linguagem para além do formalismo estruturalista.
E surge a necessidade de ampliar seus domínios e sanar as lacunas e dessa ciência, afinal uma ciência nunca está fechada, pronta e acabada!
O objetivo para a Linguística Textual era o de tentar resolver:
A dicotomia Língua x Fala (e desconsideração da Fala);
A desconsideração dos aspectos Extralinguísticos;
A autonomia do objeto de estudo (Língua);
A desconsideração do Sujeito (desconsideração da Fala, portanto, do Falante):
A unidade de análise centralizada na Frase:
A separação do Enunciado de sua Enunciação:
O pouco caso relegado ao estudo da Significação e do Sentido
Não houve precisamente uma sucessão cronológica na transposição de uma fase à outra. O que caracterizou a mudança de uma fase para a outra foi o aprofundamento gradual dos estudos, marcando cada vez mais fortemente o seu afastamento em relação à Linguística Estrutural. Cada nova fase busca superar os limites e insuficiências da fase anterior, estas três fases da Linguística Textual costumam ser conhecidas como:
1)Fase Transfrástica.
 O texto é concebido como:
É uma sequência pronominal ininterrupta – ênfase no fenômeno de correferenciação;
É uma sequência coerente de enunciados – encadeamento lógico, através da conectividade;
É uma forma de organização do material linguístico – sequenciamento lógico com início, meio e fim;
É uma unidade linguística superior à frase – unidade de análise mais complexa e completa.

2)Gramáticas Textuais.
 Considera a separação entre Texto X Não-Texto. O texto é concebido como:

É um complexo de proposições sintático-semânticas - apresenta um conjunto de conteúdos que se organizam na superfície textual em função da coerência e da coesão;

É uma estrutura pronta e acabada – equivalente a um modelo formal e ideal definido à priori;

É produto de uma competência linguística idealizada do ponto de vista de um falante ideal e de um modelo de texto ideal - ênfase no aspecto formal do texto em sua extensão e seus constituintes;

É a maior unidade linguística com sequenciamento de signos linguísticos coeso (microestrutura), coerente (macroestrutura) e consistente.
É importante constar que todo falante possui três capacidades básicas com relação ao texto, que são elas:
1º Formativa: Compreender e reproduzir textos;
2º Transformativa: Reformular, parafrasear e resumir textos;
3º Qualitativa: Reconhecer e tipificar os textos apresentados.

3)Fase da Teoria do Texto.
Desconsidera a separação Texto X Não-Texto. O texto não pode ser entendido como um produto, uma estrutura pronta e acabada e passa a ser concebido como:
É uma atividade verbal, consciente e interacional entre falante/ouvinte – leitor/leitor;
É um conjunto de operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção, seja de natureza escrita ou oral;
É um processo com atividades globais de comunicação – planejamento, verbalização e construção. Sua organização envolve a coesão ao nível dos constituintes linguísticos, a coerência ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições e implicações ao nível pragmático da produção, no plano das ações e intenções dos falantes;
É um ato de comunicação unificado num complexo universo de ações humanas, preservando a organização linear que é o tratamento estritamente linguístico (coesão) e, considerando a organização reticulada ou tentacular, não linear (coerência – sentidos e intenções), no aspecto semântico e nas funções pragmáticas.

EXERCÍCIO MODELO:

1. Apesar de ser óbvio entender o texto como unidade de análise linguística e por mais que se faça evidente a necessidade de estudá-lo em sua estrutura e construção, desvendando o seu processamento, organização, modalidades e gêneros, isso nem sempre foi um consenso e tais ideias nem sempre foram aceitas pela Linguística. A Linguística Textual nasce de um intenso e extenso esforço teórico que defende que toda a Linguística é necessariamente Linguística de Texto. Tal visão confronta-se fortemente ao campo teórico

a) da Gramática Gerativo-Transformacional, de Chomsky;
b) da Análise Semiótica do Discurso, de Greimas;
c) Pragmatismo Americano, de W. James;
d) da Linguística Estrutural, de Saussure;
e) da Sociolinguística Variacionista, de Labov.

Resposta: D



Alex Moreira Melo

Outras Teorias cujo objeto de estudo é o texto: Sociolinguística        

( Conteúdo 4)

Como é sabido, além da Linguística Textual, também houve outros lugares de ruptura com o estruturalismo linguístico, o que culminou na gênese de novos de investigação. Assim, como a LT, muitos desses campos também apresentam o texto (e não a frase) como objeto de estudo. Conforme foi advertido nos conteúdos anteriores, a LT mantém uma certa interdisciplinaridade com vários desses outros campos de investigação, cuja preoupação maior é o estudo do texto. Nesse sentido, serão apresentados, aqui e nos conteúdos seguintes, aqueles campos mais representativos, para que se possa melhor conhecê-los (ainda que superficialmente) e estabelecer as possíveis relações com a L.T.

Sociolinguística
Esta área investiga a relação entre linguagem e sociedade, através dos textos e postula o principio da diversidade linguística. Nesse sentido, já é fácil notar o seu perfil interdisciplinar. Ela inscreve-se na corente das orientações teóricas contextuais e funcionai sobre o fenômeno linguístico não apenas sob o ângulo das regras de linguagem, mas também sob a perspectiva das relações de poder manifestadas na e pela linguagem.
Seu interesse está em relacionar as variações linguísticas abserváveis em uma comunidade às diferenciações existentes na estrutura social desta mesma sociedade, pois o objeto da Sociolinguística é a diversidade linguística.
É possível identificar certos fatores socialmente definidos, relacionados à diversidade linguística como:
- Identidade social do emissor ou falante.
- Identidade  social do receptor ou ouvinte
- O contexto (estilos formal e informal)
- O julgamento linuistico-social distinto que os falantes fazem de si e dos outros.
É importante salientar ainda que a Sociolinguística diz respeito prioritariamente ao estudo da língua falada, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em situações reais de uso. Seu ponto de partida é a comunidade linguística. Ela se interessa pelas pesquisas voltadas, por exemplo, para as minorias linguísticas e para a questão do insucesso escolar de crianças oriundas de grupos sociais desfavorecidos. Para a Sociolinguística a língua é um fato social, um sistema convencional adquirido pelos indivíduos no convívio social, de onde podem obstrair as múltiplas variações observáveis de fala. Conforme os estudos sociolinguísticos, as línguas variam de diversas formas:
- Uma língua varia em relação a outra ou outras línguas, ou seja, as línguas variam entre si.
- Uma mesma língua falada em países diferentes varia de um país para outro onde seja falada.
- A língua falada em um país varia de uma região para outra neste país.
- A língua falada em um país varia em diversos aspectos: étnico, etário, social, sexual, econômico, profissional, cultural, etc
- A língua varia até em um mesmo indivíduo em relaçao aos seus diferentes níveis de formalidades e situações linguísticas.

- A língua pode variar em diferentes níveis ( lexical, morfológico, sintático, fonético e semântico).

(Juliana Tavares)

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Considerações sobre a Análise da Conversação
(conteúdo 6)

Análise da conversação trata-se  de um estudo  sobre as conversas, em geral as presencias ou por telefonemas, sua elaboração consiste em estabelecer um padrão, uma linha cientifica para as interações, onde tudo no decorrer de uma conversa é relevante: Entonação da voz, trejeitos, pausas, ritmos, tempo, risos, interrupções, em fim, tudo que é específico de uma conversa.

Os nomes mais respeitados dessa linha de pesquisa são: Harvey Sacs, Emanuel Schegloff e Gail Jeferson  que inclusive muitas das teorias  recebem a suas siglas ( s/s/j ) como nomenclaturas das  próprias. No âmbito nacional seria o autor Luiz Antônio Marcuschi.

O objetivo desse estudo é como o próprio autor diz um incentivo a outras pesquisas de diversas áreas que sejam sérias e de comprometimento científico.  
                       

    ELEMENTOS FUNDAMENTAIS

Construção da conversação que seria um pergunta outro responde quase em todos os casos acontece isso.
Turnos são quando quando a pessoa toma a fala, ou seja a atenção esta voltada sobre ele.

Transcrição própria, simbologia que orienta o pesquisador a situar-se, 
exemplos:
A: Eu achei o piloto inglês Lewis Hamilton BEM reclamão esse fim de semana
B: (+) verdade(+) mereceu perder((sorriu))

A expressão BEM ficou maiúscula pois isto simboliza maior entonação; (+) representa uma pausa de 0.5 segundo; ((        )) utilizado para um comentário do pesquisador referente a conversa, muito usado para transcrever expressões metalinguísticas.


    Wesleyhawer.