sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Literatura Brasileira: Modernismo

Modernismo

Pode-se entender o Modernismo como um movimento literário e artístico que teve início no século XX com o objetivo de romper com o tradicionalismo. Buscavam a libertação estética, a experimentação constante e, acima de tudo, a independência cultural do país. No Brasil, o Modernismo deu seus primeiros passos com a Semana de Arte Moderna em 1922 na cidade de São Paulo.
O Modernismo Brasileiro teve sua culminância com a Semana de Arte Moderna, entretanto, as ideias modernistas já rondavam o país muito antes da Semana de 1922.  O desejo de mostrar um Brasil de verdade, com suas favelas, seu povo sofrido, marginalizado, sem os idealismos românticos, começou em 1902 com a obra “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, que descreveu a Guerra de Canudos. Em 1911, “Triste fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, de forma crítica, mas bem-humorada, trouxe a temática do nacionalismo. Já em 1910, Monteiro Lobato apareceu mostrando o Brasil de Jeca Tatu e do Sítio do Pica-pau amarelo.
Na Europa, no início do Século XX, 
as vanguardas traziam um novo conceito de arte. Esse novo conceito começou a chegar ao Brasil através dos intelectuais que viajaram para lá. Em 1912, por exemplo, Oswald de Andrade fez sua primeira viagem pela Europa e impressionou-se com um movimento denominado Futurismo de Marinetti. Retornando ao Brasil, escreveu “Último passeio de um tuberculoso, pela cidade, de bonde. ” O poema não teve boa aceitação por parte do público, o que fez com que seu autor o eliminasse.
O conhecimento das correntes de vanguarda e o desejo de concretizar uma arte moderna brasileira, valorizando o nacional e eliminando as imitações europeias, possibilitaram o início do Modernismo no Brasil.


O Modernismo Brasileiro foi dividido em três fases:

Primeira Fase (1922-1930)

Com a Semana de Arte Moderna em 1922 tem início a Primeira Fase do Modernismo, que também é chamada de Fase Heroica. Pode-se caracterizar tal fase por um maior compromisso dos artistas com a renovação estética inspiradas nas vanguardas europeias como o cubismo, o futurismo, o surrealismo e outros. A linguagem literária tenta romper com o tradicional, sendo algumas dessas mudanças: a liberdade formal, a valorização do cotidiano, reescritura de textos do passado, etc. É também importante ressaltar que foi durante este período que surgiram os grupos de movimento modernista, entre eles o Pau-Brasil, Antropófago e Verde-Amarelismo, por exemplo.

Características

- Rompimento com as estruturas do passado;
- Anarquismo, sentido destruidor;
- Volta às origens;
- Linguagem coloquial;
- Valorização do índio brasileiro;
- Nacionalismo ufanista, exagerado e utópico;
- Caráter revolucionário.

Segunda Fase (1930-1945)

Também chamada de Fase de Consolidação, a Segunda Fase do Modernismo é caracterizada pelo predomínio da prosa de ficção. É nesse período que os ideais difundidos na fase anterior se espalham e normalizam os esforços de antes para redefinir a linguagem artística, que acaba por se unir a um grande interesse pelas temáticas nacionalistas. As novas obras dos autores da Primeira Fase acabam amadurecendo e surgem novos grandes poetas, como Carlos Drummond de Andrade.
Características

- Amadurecimento das ideias de 1922;
- Nova postura artística;
- Versos livres;
- Poesia sintética;
- Nacionalismo, universalismo E regionalismo;
- Literatura construtiva e politizada.

Terceira Fase (1945-1960)

Nesta fase a prosa dá sequência às três tendências observadas na Segunda Fase, que são: a prosa urbana, intimista e regionalista, com certa renovação formal. A poesia desse período conta com os poetas que apareceram na fase anterior, afinal eles continuam em constante renovação. Foi criado um grupo de escritores que se autodenominaram de “geração 45”, seus membros procuravam por uma poesia equilibrada e séria, sendo até chamados pelas outras pessoas de neoparnasianos.
Características

- Academicismo;
- Retorno ao passado;
- Oposição à liberdade formal;
- Valorização da métrica e da rima;
- Linguagem mais objetiva;
- Metalinguagem.


Grupos de movimento modernista


Pau-Brasil

O Movimento Pau-Brasil foi um movimento artístico lançado no Brasil em 1924 por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral que apresentava uma posição primitivista, buscando uma poesia ingênua, de redescoberta do mundo e do Brasil e que foi inspirada nos movimentos de vanguarda europeus, devido às viagens que Oswald fazia à Europa. Como se pode observar nos postulados básicos do manifesto, as preocupações principais do movimento eram: expor ao ridículo as posturas solenes, as formas gastas, a escrita empolada, a sujeição aos modelos europeus (explorar assuntos nacionais), abolir a barreira tradicional entre a poesia e prosa, valorizar a invenção e a surpresa.
O movimento exaltava a inovação na poesia, o primitivismo e a era presente, ao mesmo tempo em que repudiava a linguagem retórica na poesia. Convivem dialeticamente o primitivo e o moderno, o nacional e o cosmopolita, sendo ideologicamente a raiz do Movimento Antropofágico.

Antropófago

Publicado na "Revista Antropofagia" (1928), Manifesto Antropofágico propunha: alimentar-se de tudo o que o estrangeiro traz para o Brasil, sugar-lhe todas as ideias e uni-las às brasileiras, realizando assim uma produção artística e cultural rica, criativa, única e própria. Era preciso desvincular-se de laços passados, como o simbolismo, ainda fortemente presente naquela época. O nome do manifesto recuperava a crença indígena: os índios antropófagos comiam o inimigo, supondo que assim estavam assimilando suas qualidades. A idéia do manifesto surgiu quando Tarsila do Amaral, para presentear o então marido Oswald de Andrade, deu-lhe como presente de aniversário a tela Abaporu (aba = homem; poru = que come).
Escrito com a ajuda de Mário de Andrade e Raul Bopp, é considerado o mais radical de todos os manifestos da primeira fase do Movimento Modernista. Ao resgatar a crença indígena de que os índios antropófagos, ao comerem seus inimigos, estariam assimilando suas qualidades, ele defende uma espécie de projeto de resistência às incorporações feitas sem o devido senso crítico, A proposta era “devorar” a cultura e técnicas estrangeiras e submetê-las a uma digestão crítica em nosso estômago cultural, de forma assimilá-las ou ainda vomitá-las, se fossem consideradas impróprias ou indesejáveis.

Verde-Amarelismo


Em 1926, como uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil, surge o grupo do Verde-Amarelismo, formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. O grupo criticava o "nacionalismo afrancesado" de Oswald de Andrade e apresentava como proposta um nacionalismo primitivista, ufanista e identificado com o fascismo, que evoluiria, no início da década de 30, para o Integralismo de Plínio Salgado. Parte-se para a idolatria do tupi e elege-se a anta como símbolo nacional.
O grupo verde-amarelista também faria publicar um manifesto no jornal Correio Paulistano, edição de 17 de maio de 1929, intitulado "Nhengaçu Verde-Amarelo - Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta", que, entre outras coisas, afirmava:
"O grupo 'verdamarelo', cuja regra é a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser e puder; cuja condição é cada um interpretar o seu país e o seu povo através de si mesmo, da própria determinação instintiva; - o grupo `verdamarelo', à tirania das sistematizações ideológicas, responde com a sua alforria e a amplitude sem obstáculo de sua ação brasileira (...)
Aceitamos todas as instituições conservadoras, pois é dentro delas mesmo que faremos a inevitável renovação do Brasil, como o fez, através de quatro séculos, a alma da nossa gente, através de todas as expressões históricas.
Nosso nacionalismo é `verdamarelo' e tupi. (...)"

Características do Modernismo

Na literatura brasileira, as principais características do Modernismo são:
- Fragmentação;
- Síntese;
- Busca pela linguagem brasileira;
- Nacionalismo;
- Ironia, humor E paródia;
- Relato do cotidiano;
- Revisão crítica do passado histórico e cultural;
- Subjetivismo;
- Versos livres;
- Ousadia e inovação.



                                 Oswald de Andrade


Oswald de Andrade (1890-1954) nasceu em São Paulo, no dia 11 de janeiro de 1890. Filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e Inês Henriqueta Inglês de Souza Andrade. Estudou Ciências e Letras no Ginásio de São Bento, onde ouviu de um professor que ia ser escritor. Passou a comprar livros e a escrever. Em 1909, O Diário Popular publicou seu primeiro artigo “Penando”, uma reportagem da excursão do presidente Afonso Pena aos Estados do Paraná e Santa Catarina. Em 1911, fundou a revista semanal “O Pirralho”, que ele mesmo dirigiu, junto com Alcântara Machado e Juó Bananère. O semanário contava, entre outros colaboradores, com o pintor Di Cavalcanti.
 Fundou junto com Tarsila o "Movimento Antropófago". Foi uma das personalidades mais polêmicas do Modernismo. Era irônico e gozador, teve uma vida atribulada, foi militante político, foi o idealizador dos principais manifestos modernistas. Ao lado da pintora Anita Malfatti, do escritor Mário de Andrade e de outros intelectuais organizou a Semana de Arte Moderna de 1922.
O autor escreveu a primeira obra modernista, “Pau-Brasil”, um livro de poemas. Escreveu também dois importantes textos para o modernismo, o “Manifesto Antropófago”, publicado na Revista da Antropofagia, que Oswald colaborou na criação, e o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, publicado em 1924 no “Correio da Manhã”.  
Oswald de Andrade acreditava que a cultura brasileira, assim como o pau-brasil da época do Brasil colônia, poderia ser exportada, tinha qualidade para isso. Para o autor, a arte precisa ser mais autêntica, original. O escritor buscava a cultura que não era tradicional, queria romper com o convencionalismo. Foi ele que, inspirado pela arte que estava sendo feita na Europa, percebeu que era possível unir a cultura mais popular e a erudita.
José Oswald de Sousa Andrade morreu em São Paulo, no dia 22 de outubro de 1954.


Obras de Oswald de Andrade

Os Condenados, romance, 1922
Memórias Sentimentais de João Miramar, romance, 1924
Manifesto Pau-Brasil, 1925
Pau-Brasil, poesias, 1925
Estrela de Absinto, romance, 1927
Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade, 1927
Manifesto Antropófago, 1928
Serafim Pontes Grande, romance, 1933
O Homem e o Cavalo, teatro, 1934
O Rei da Vela, teatro, 1937
A Morta, teatro, 1937
Marco Zero I - A Revolução Melancólica, romance, 1943
A Arcádia e a Inconfidência, ensaio, 1945
Ponta de Lança, ensaio, 1945
Marco Zero II - Chão, romance, 1946
A Crise da Filosofia Messiânica, 1946
O Rei Floquinhos, teatro, 1953
Um Homem Sem Profissão, memórias, 1954
A Marcha das Utopias, 1966 (edição póstuma)
Poesias Reunidas, (edição póstuma)
Telefonemas, crônicas, (edição póstuma)

Características de seu estilo literário:

Oswald de Andrade pregava a liberdade na construção do texto, deixando de lado as formalidades encontradas nas obras dos períodos anteriores. O autor buscava, principalmente, formar uma identidade nacional, acreditava na relevância da cultura brasileira.
Em seus poemas, Oswald de Andrade afirma uma imagem de Brasil marcada pelo humor, pela ironia e também por uma crítica profunda e um imenso amor pelo país, como atesta o lirismo de muitos de seus versos.
Uma visão crítica da história do Brasil se manifesta na releitura de textos e eventos do período colonial do país.

Principais características:

- Ruptura com a gramática normativa;
- Coloquial e repleta de humor;
-Simplicidade da linguagem;
- Temáticas cotidianas;
- Nacionalismo.



Pronominais- Oswald de Andrade

Dê-me um cigarro Diz a gramática

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro 


Análise do poema Pronominais: Podemos perceber aqui que o poeta sutilmente faz uma crítica à questão do formalismo linguístico tanto explorado por artistas, principalmente do Parnasianismo, como é o caso de Olavo Bilac. Quando ele se refere à Nação Brasileira, está justamente colocando em prática o nacionalismo e as características que lhes são peculiares.


Brasil- Oswald de Andrade
Para Trolyr

O Zé Pereira chegou de caravela
E perguntou pro guarani da mata virgem
- Sois cristão?
- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
- Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval

Análise do poema Brasil de Oswald de Andrade: O tom coloquial do poema recria o modo irônico  a chegada dos portugueses. O momento, normalmente tratado de modo solene, é apresentado a partir de uma perspectiva irreverente. O diálogo entre o índio Guarani e o Zé Pereira, ou seja, um indivíduo qualquer, ilustra  as muitas influências e vozes que contribuíram para a definição do caráter nacional.


EXERCÍCIOS

1- (UNIFESP – SP)     SENHOR FEUDAL- Oswald de Andrade
Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia.
O título do poema de Oswald remete o leitor à Idade Média. Nele, assim como nas cantigas de amor, a ideia de poder retoma o conceito de
a) fé religiosa.
b) relação de vassalagem.
c) idealização do amor.
d) saudade de um ente distante.
e) igualdade entre as pessoas.


2- Assinale a alternativa em que se encontram preocupações estéticas da Primeira Geração Modernista:
a). Principal corrente de vanguarda da Literatura Brasileira, rompeu com a estrutura discursiva do verso tradicional, valendo-se de materiais gráficos e visuais que transformaram a estrutura do poema.
b). Busca pelo sentido da existência humana, confronto entre o homem e a realidade, reflexão filosófico-existencialista, espiritualismo, preocupação social e política, metalinguagem e sensualismo.
c). Os escritores de maior destaque da primeira fase do Modernismo defendiam a reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais, revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais, eliminação do complexo de colonizados e uso de uma linguagem própria da cultura brasileira.
d). Amadurecimento da prosa, sobretudo do romance, enfoque mais direto dos fatos, influência da estética Realista-Naturalista do século XIX e caráter documental, como no livro Vidas secas, de Graciliano Ramos.


3- Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.
(Oswald de Andrade)
Sobre o poema de Oswald de Andrade, julgue as seguintes proposições:
I. O poema de Oswald de Andrade volta-se contra o preconceito linguístico e nos chama a atenção para a necessidade de uma espécie de ética linguística pautada na diferença entre as línguas, nesse caso em uma única língua.
II. O poema critica a maneira de falar do povo brasileiro, sobretudo das classes incultas que desconhecem o nível formal da língua.
III. Para ele, os falantes que dizem “mio”, “mió”, “pió”, “teia”, “teiado”, de certa forma, constroem um “telhado”, ou seja, criam novas formas de pronúncia que se sobressaem, em muitos casos, à norma culta.
IV. A palavra “vício”, encontrada no título do poema, denota certo preconceito linguístico do autor, que julga a norma culta superior ao coloquialismo presente na fala das pessoas menos esclarecidas.
a) Todas estão corretas.
b) I e III estão corretas.
c) I, III e IV estão corretas.
d) II e III estão corretas.

4- (ENEM 2012) O trovador

Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras…
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal…
Intermitentemente…
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo…
Cantabona! Cantabona!
Dlorom…
Sou um tupi tangendo um alaúde!
ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade.
Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.
Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é
a) abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carnaval, remete à brasilidade.
b) verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.
c) lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).
d) problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
e) exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.

5- São características da obra de Oswald de Andrade, exceto:
a) A obra de Oswald de Andrade representa um dos cortes mais profundos do modernismo brasileiro em relação à cultura do passado.
b) Sua obra é debochada, irônica e crítica, sempre pronta para satirizar os meios acadêmicos ou a própria burguesia, classe da qual se originara.
c) A linguagem utilizada por Oswald caracteriza-se pela síntese, pelas rupturas sintáticas e lógicas, pelas imagens bruscas e pela fragmentação.
d) Em sua obra estão presentes o lirismo, a piada, a imaginação, a fala popular, a ironia, os 
flashes cinematográficos, todos elementos observados nos chamados poemas-minuto.
e) Os temas mais comuns de sua obra são a paixão pela vida, a morte, o amor e o erotismo, a solidão, a angústia existencial, o cotidiano e a infância.

Respostas:
1- B. Nada mais notório que a relação entre “Senhor Feudal” e a organização social da Idade Média e a instituição da suserania e vassalagem. No poema de Oswald, podemos perceber as características que nortearam sua obra, como a liberdade na construção do texto, deixando de lado aspectos formais encontrados nas obras dos períodos anteriores, entre eles o romantismo e o parnasianismo. Assim como Mário de Andrade, o escritor buscava a formação de uma identidade nacional, pois acreditava na relevância da cultura brasileira.

2- C. A primeira fase modernista surgiu do anseio de escritores como Mário de Andrade e Manuel Bandeira por mudanças na Literatura Brasileira. Para a criação de uma Literatura genuinamente nacional, pregavam a ruptura com os padrões clássicos impostos pela cultura europeia. Na linguagem, defendiam uma língua sem arcaísmos, livre de erudição.

3- B. Em razão do projeto político do autor e da escola literária à qual Oswald de Andrade pertencia, podemos afirmar que o “vício” é, na verdade, uma virtude, uma marca de regionalismo importante para a construção da identidade nacional, bandeira defendida pelos primeiros modernistas. Através da linguagem, Oswald conseguiu contrastar as diferenças entre a classe culta e a classe operária, essa última responsável por usar variantes e regionalismos. Contudo, não há intenção preconceituosa no posicionamento de Oswald, que sempre buscou a valorização do Brasil real presente na linguagem empregada pelo povo.

4- D. A obra de Mário de Andrade é um retrato fiel da primeira fase do Modernismo, principalmente no tema da identidade nacional. No poema, precisamos perceber uma visão crítica por parte do autor, quando choca a ideia do tupi (selvagem) e do alaúde (civilizado), ingredientes importantes na formação do Brasil. A linguagem metaforizada e o tema da síntese cultural do Brasil lembram o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade, que tinha como objetivo falar da dependência cultural existente no Brasil.

5- E. As características descritas na alternativa “e” fazem referência à obra de Manuel Bandeira, que, ao lado de Oswald e Mário de Andrade, formou a famosa tríade modernista, responsável por difundir os ideais modernistas. Entre esses ideais, a construção de uma literatura genuinamente brasileira que falasse de seu povo e de seus costumes por meio de uma linguagem livre de arcaísmos, na qual os temas do cotidiano, o nacionalismo, o humor e a ironia fossem privilegiados.



Marcela Almeida

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Resumo dos capítulos do livro Vidas Secas de Graciliano Ramos


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   O livro Vidas Secas conta a história de uma família do sertão nordestino, vítima da seca e da pobreza, saem para uma viagem para tentar uma vida mais digna em um lugar melhor.
    O livro contém 13 capítulos, rompendo com a linearidade, os capítulos podem ser lidos aleatoriamente, sem a necessidade de seguir a ordem, pois cada capítulo conta uma história, sem ordem cronológica, com exceção do primeiro e do último capítulos que devem ser lidos nessa ordem.
    O primeiro capítulo narra a saída da família, a caminhada, as dificuldades que encontraram pelo caminho, o cansaço, a fome e a procura por sombras. Conta o sofrimento da família que para tentar uma vida melhor, se aventuraram pelo sertão, indo em busca de um lugar onde houvesse trabalho, onde pudessem criar os filhos para que crescessem com dignidade, porém, a falta de água, de comida, o calor e as privações foram cruéis com a família nessa viagem.
     O segundo capítulo conta a história de Fabiano, um vaqueiro, pai de família que sonhava com uma vida melhor para a sua esposa, seus filhos e mesmo para a cachorra Baleia, conta suas aventuras.
     O terceiro capítulo, narra a trajetória de Fabiano, quando saiu para comprar algumas coisas que precisava, acabou se envolvendo em uma confusão, ao suspeitar que era enganado pelos comerciantes, foi tirar satisfação com o dono da venda, depois se envolveu mais uma vez em uma desavença com um soldado e acabou indo parar na cadeia.
     O quarto capítulo conta a história de Sinhá Vitória, uma dona de casa sonhadora, sonhava para os meninos uma vida melhor, vivia sonhando com o dia que teriam roupas decentes, sapatos, imaginava-se calçando sandálias bonitas, sonhava com uma cama de correrias. Pensava sempre na vida miserável que tinham, culpava Fabiano.
      O quinto e o sexto capítulo narram a história dos filhos do casal. O menino mais novo e o menino mais velho. O menino mais novo admirava o pai, sonhava em ser um vaqueiro igual Fabiano. O menino mais velho era curioso, amigo dos animais, ficou confuso com a palavra “inferno”, queria descobrir o significado da palavra.
      O sétimo capitulo narra as dificuldades da família durante o inverno, da esperança que a chuva trouxe à família. Os trovões assustavam as crianças, mas Fabiano via naquela tempestade a chance de uma vida melhor, pensava nas dificuldades que tiveram por conta da seca, mas renovava sua esperança, acreditando que não voltaria mais a passar por aquela situação novamente.
    O oitavo capítulo conta o natal da família, detalhando a saída de casa para ir à uma festa, a família fez uma longa e difícil caminhada, passando por percalços, mas finalmente chegaram à igreja. Ficaram admirados com as imagens, com tudo o que viam lá. Fabiano começou a pensar na sua vida, no meio de tanta gente, lembrando que passavam-lhe para trás, sentia-se inferior a todos. Sinhá Vitória pensava na vida difícil que tinha, na vida que desejava ter.
     O nono capítulo conta a história da cachorra Baleia, o animal que estava sempre junto com a família, conta quando o animal começou a emagrecer, seus pelos começaram a cair, e Fabiano percebeu que Baleia estava doente, não viu outra alternativa, decidiu sacrificá-la. Os meninos sofriam ao perceberem que algo ruim iria acontecer com a cachorra. Esse capítulo, mostra a morte da Baleia, um fim triste para um animal que parecia uma pessoa, um membro da família.
    O décimo capítulo narra o esforço de Fabiano para vencer na vida, trabalhando, porém não tinha seus produtos valorizados, por medo de ser expulso da fazenda, deixava que o freguês pagasse pouco por seus produtos. Vendia os animais, acumulava dívidas, não tinha esperança de ficar rico. Sinhá Vitória, que era boa de cálculos, fazia as contas, pois Fabiano não era bom nisso. Ao retornar ao patrão para reclamar a diferença, o patrão disse que não deveria pagar mais, e ameaçou mandar Fabiano embora, então, o Vaqueiro de desculpou, disse que deveria ser erro da mulher, e assim a vida miserável não tinha fim, trabalhava e entregava muito barato ao patrão e vivia na pobreza de sempre sem esperança de melhorar. O capítulo descreve a tristeza de Fabiano, pensando na sorte ruim que tinha.
       O décimo primeiro capítulo narra o reencontro de Fabiano com o “soldado amarelo”, o policial que o havia prendido um ano antes. Fabiano teve vontade e oportunidade de mata-lo, mas não o fez, o soldado estava acuado, com medo. Fabiano lembrou de como o soldado era cruel, maltratava os homens na cidade, homens inofensivos, porém ali, diante de Fabiano armado com um facão, o soldado teve medo. Fabiano pensou que não valeria a pena mata-lo, e não o matou.
No décimo segundo capítulo, aparecem aves, muitas aves no céu. Sinhá Vitória alerta Fabiano que as aves matariam o gado, ele achou que a mulher estivesse doente, mas depois, parando para observar viu que as aves bebiam toda a água, como eram muitas, acabariam com a água, deixando o gado com sede e assim morreriam. Fabiano pensou nas habilidades da mulher, e lembrou que Sinhá Vitória é uma pessoa inteligente, e que pensava, entendia as coisas de forma coerente. Analisando a situação em que estavam, percebendo que a seca estaria de volta, decidiram sair novamente de sua terra e partiram para mais uma viagem.
      O último capítulo relata a fuga da família, narra a viagem, assim como no primeiro capítulo, a família saiu, deixando para trás aquele lugar onde passaram os dias lutando, tentando sobreviver de forma digna, mas não conseguiram, pois eram roubados por juros absurdos que o patrão cobrava. Mais uma vez, viajaram por um longo tempo, noite e dia com a esperança de uma vida digna, escola para as crianças que poderiam ter um futuro melhor, mostra o sonho da família que deixara para trás a vida miserável do sertão, a seca, a frustração e partira para uma vida de sonhos, um futuro digno.

Alunos: Andréia Lopes Prianti
              Andressa Lopes Prianti 
              Claudia Nicolau Correa
              Marilene Harrisberger Pereira
              Richard da Silva Alves        
              Liane Moura Costa  

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Vidas Secas de Graciliano Ramos


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     Nasceu em Quebrângulo (Alagoas), a 27 de outubro de 1892. Passou a infância em Buíque (Pernambuco) e Viçosa e Palmeira dos Índios (Alagoas).


      Após os primeiros estudos em Maceió, segue para o Rio de Janeiro, onde vive como reviso de provas tipográficas (1924). De regresso a Plameira dos índios, entrega-se ao comércio de miudezas, e mais tarde é eleito prefeito (1927). Como redigisse os relatórios burocráticos numa prosa impecável, chama a atenção de Augusto Frederico Schimdt, nessa altura tentando a aventura editorial. Desse fato resultaria a publicação, em 1933, de Caetés, que vinha escrevendo dede 1925. Transfere-se para Maceió em 1930, onde viria a ser editor da Imprensa Oficial do Estado. Acusado de práticas subversivas, conhece em 1936 os dissabores da cadeia, que lhe inspiraram as Memórias do Cárcere (1953). Os últimos anos, vive-os no Rio de Janeiro, de onde sai para uma visita à Tchecoslováquia e URSS, e onde falece a 20 de março de 1953. Publicou, além das obras mencionadas, o seguinte: romances, S. Bernardo (1934), Angústia (1936), Vidas Secas (1938); contos, Histórias Incompletas (1946), Insônia (1947), Alexandre e Outros Heróis (1962); crônicas, Linhas Tortas (1962), Viventes das Alagoas (1962); viagens, Viagem (1954).  





VIDAS SECAS
     
     A Obra Vidas Secas de Graciliano Ramos foi publicada em (1938) e pertence a 2°Geração do Modernismo.
    A 2°Geração do Modernismo também chamada de geração regionalista, é uma geração que volta o olhar para o que a sociedade normalmente não olha, lugares, pessoas que passam despercebidas perante aos olhos dessa sociedade. No caso da Obra Vidas Secas esse olhar estará voltado para o sertão nordestino.
Nessa geração a Literatura é engajada, porque vai denunciar os problemas sociais e políticos do Brasil, revelando a atuação opressora do Estado brasileiro que nunca garantiu o bem estar social aos cidadãos.


MODERNISMO 2ª FASE (1930 - 1945)

Contexto histórico
     Toda a década de 30 e os primeiros anos de 40 caracterizam-se por profundas modificações no cenário nacional. Alguns fatos importantes da época convêm lembrar: - Getúlio Vargas lidera manifestações contrárias ao governo de Washington Luís que acaba por ser deposto. - Promulgação da Nova Constituinte e eleição de Getúlio Vargas para Presidente. O governo é conturbado por greves, aprovação da lei de Segurança Nacional, prisões de intelectuais e militantes políticos (como Graciliano Ramos e Luís Carlos Prestes do Partido Comunista). Houve diversas tentativas de deposição de Getúlio Vargas até que, em 1945, as Forças Armadas o fazem, pondo fim ao Estado Novo. - O início da Segunda Guerra Mundial em 1939, com a participação do Brasil em 1942.  

Apresentação da Obra

      "Vidas Secas", romance publicado em 1938, retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. A Obra pertence como já dito à segunda Fase do Modernismo, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época.
    O estilo seco de Graciliano nessa obra, se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e sues efeitos sobre as pessoas que ali estão.



Espaço

      A narrativa é ambientada no sertão, região marcada pelas chuvas escassas e irregulares. Essa falta de chuva, somada a uma política de descaso do governo com os investimentos sociais - transforma a paisagem em ambiente inóspito e hostil.
Inverno, na região e no romance, é o nome dado à época de chuvas, em que a esperança sertaneja floresce mudando o cenário até que a seca retorne.
     Ambiente rural(sensação de adequação): Fabiano consegue, apesar da miséria, dominar o ambiente rural com suas técnicas profissionais, o que lhe faz sentir certa capacidade e, ainda, uma aceitação para o uso tão escasso das palavras. A passagem em que seu filho o admira ao vê-lo trabalhando deixa claro isso.
    Ambiente Urbano (sensação de inadequação): Na cidade, porém, Fabiano vivencia, a cada experiência, o sentimento de frustração, incapacidade. Os capítulos "Festa" e "Cadeia" ilustram essa sensação.


Personagens

     As personagens são focalizadas uma por vez, o que mostra o afastamento existente entre elas. Vidas Secas é, portanto, a dramática descrição de pessoas que não conseguem comunicar-se. Nem os opressores comunicam-se com os oprimidos, em cada grupo comunica-se entre si. A nota predominante do livro é o desencontro dos seres.
           " - Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.
 Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheia, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julga-se cabra.
   Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-se, murmurando:
- Você é bicho, Fabiano."    (página 18)
   

  • Sinhá Vitória: Tem uma superioridade visível em relação ao marido por ser mais letrada que ele, tanto que é ela quem descobre erros nas contas do patrão; ela toma as decisões mais importantes para a família, como por exemplo, quando é chegada a hora de partir, uma vez que a seca já se anuncia pela das aves; possui um desejo recorrente de uma "cama real", igual a do seu Tomás da bolandeira, metáfora que demonstra o desejo secreto de se instalar num lugar que não obrigue a família a fugir da seca.

    "Por que não haveriam de ser gente, possuir uma cama igual à de seu Tomás da bolandeira? Fabiano franziu a testa: lá vinham despropósitos. Sinhá Vitória insistiu dominou-o. Por que haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato como bichos? Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias."

  • O Menino mais Novo tem como maior, e talvez único, desejo a vontade de ser igaul ao pai. Quando fosse grande "saltaria no lombo de um cavalo brabo e voaria na cantiga".
  • O Menino mais Velho que quer compreender o significado da palavra "inferno".Parele era duro acreditar que essa palavra pudesse designar coisa ruim.Talvez,isso se deva ao fato de que ele,na sua inocência,não percebesse que o inferno era o próprio sertão. É bastante significativo o fato de os dois meninos não possuírem um nome próprio,sendo assim animalizados,mas,essa não nomeação também sugere que os dois ainda não tem condições para suportarem,por si mesmos,a aspereza do sertão. 
  • Baleia ocupa um lugar de destaque,pois é dotada de sentimentos próprios,ela sente e age em vários momentos como se fosse "humana".A aspereza do ambiente,provoca um nivelamento entre homens e animais que enquanto Baleia,humaniza-se,as pessoas,por sua vez,animalizam-se.
     Vidas Secas traduz,  tendo a morte como pano de fundo,o sofrimento da pequenez humana diante da própria arbitrariedade que rege as relações humanas nesse meio.Composto por treze capítulos e marcado por um estilo conciso,o livro,em sua essência,retrata a peregrinação de uma família de retirantes pelos confins do sertão,é o fio condutor dessa historia que reduz a existência de homens e bichos a um lutar instintivo pela própria sobrevivência. Compostos e publicados separadamente,os capítulos formam um cenário de situações que procura ajustar a hostilidade natural do sertão á realidade social nordestina.
   O texto é narrado em 3° pessoa.É o próprio narrador que revela o interior dos personagens através de monólogos interiores e,assim,ganha destaque ao converter em palavras os anseios e pensamentos das personagens e isso por meio de frases curtas,incisivas,enxutas quase sempre no período simples.
     Narração em 3° pessoa é uma necessidade do texto,para que se fosse mantida a verossimilhança da obra.Por causa da articulação verbal dos personagens,reflexo das adversidades naturais e sociais que o afligem,nenhum parece capacitado a assumir o posto de narrador.
      Os diálogos,em discurso indireto livre,são raros e as palavras ou frases que vem diretamente da boca das personagens são apenas xingatórios,exclamações,ou mesmo grunhidos.A terra é seca,mas sobretudo o homem é seco Dai o titulo Vidas Secas. 


BIBLIOGRAFIA

http://ceeja-portugues.blogspot.com.br/2016/10/vidas-secas-graciliano-ramos.html

Alunos: Andréia Lopes Prianti
              Andressa Lopes Prianti 
              Claudia Nicolau Correa
              Marilene Harrisberger Pereira
              Richard da Silva Alves        
              Liane Moura Costa  

domingo, 1 de outubro de 2017

Literatura Brasileira: Romantismo

ROMANTISMO

A ideologia romântica, argamassada ao longo do século XVIII e a primeira metade do século XIX, introduziu-se em 1836, graças ao livro Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, e à revista Niterói, fundada e publicada pelo mesmo, Porto Alegre e Torres Homem; e perdurou até 1881, quando o surgimento de O Mulato, de Aluísio Azevedo, deu início à estética realista e naturalista em nossas letras. Durante quatro decênio, imperaram o “eu”, a anarquia, o liberalismo, o sentimentalismo, o nacionalismo, por meio da poesia, do romance, do teatro e do jornalismo (que fazia sua aparição nessa época).
Três os momentos percorridos pela metamorfose romântica:
1) corresponde ao período de implantação e definição do novo credo cultural; representam-no, afora os nomes citados, Gonçalves Dias, na poesia, Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, na prosa, e Martins Pena, no teatro.
2) em que se instala a moda byroniana em poesia, com Casimiro de Abreu, Junqueira Freire, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, e em que aparecem os ficcionistas Bernardes Guimarães e Manuel Antônio de Almeida;
3) equivalente às últimas décadas da época, em que se presencia a gestação do Realismo e, portanto, o desmoronar do Romantismo, com Castro Alves, na poesia, e Visconde de Taunay, na prosa.

ROMANTISMO NO BRASIL – POESIA

O Romantismo no Brasil inicia-se no ano de 1836, tendo como marco inicial a obra Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães. Didaticamente, na poesia, dividimos o movimento em três gerações: a primeira, nacionalista; a segunda, conhecida como ‘mal do século’; e a terceira, marcada pelo condoreirismo.

PRIMEIRA GERAÇÃO DO ROMANTISMO

A primeira geração, fortemente influenciada pela Independência do Brasil, conquistada em 1822, buscava uma poesia que identificasse o país com suas raízes históricas, linguísticas e culturais, assim como o brasileiro buscava sua própria identidade neste novo Brasil, livre de Portugal. O sentimento de nacionalidade, o patriotismo e o desejo de construir uma arte brasileira propriamente dita, com elementos que remetiam ao passado histórico do país, eram muito fortes nas obras desta geração.

Marcada pelo indianismo, a poesia da primeira geração tinha temáticas que remetiam à natureza brasileira, exaltando-a e colocando todos os elementos à altura dela, fazendo comparações e metáforas com todas as riquezas naturais. O índio surge como um herói que representa o Brasil e os brasileiros, numa visão de realidade idealizada e subjetiva.

Obras e autores da primeira geração
Destacam-se nesta primeira geração os poetas Gonçalves Dias, com obras como Canção do Exílio e I-Juca Pirama, e Gonçalves de Magalhães, com a Confederação dos Tamoios.

SEGUNDA GERAÇÃO DO ROMANTISMO

A segunda geração surgiu em meados da década de 50 do século XIX e, na contramão da primeira geração, traz uma poesia onde o eu-lírico volta-se mais para si, afastando-se dos acontecimentos políticos e sociais da época. Com inspiração de Lord Byron, poeta britânico, a poesia da segunda geração tinha em suas temáticas o pessimismo, o apego aos vícios e o foco nos sentimentos, que apareciam de forma exagerada e idealizada na poesia.

Também temos o gosto pela noite, a melancolia, o sofrimento, temáticas mórbidas e o medo do amor, este sendo um sentimento idealizado, um devaneio onde existem imagens sensuais e eróticas que nunca são vivenciadas e vistas na realidade do eu-lírico, que vive em meio à solidão, sonhos e idealizações.

Obras e autores da segunda geração
O grande nome desta fase é Álvares de Azevedo, com sua Lira dos Vinte Anos e a prosa Noite da Taverna, que destoa dos tipos de prosa do Romantismo, tendo nesta obra as características da segunda geração poética. Além deste, temos também Casemiro de Abreu, que, ao contrário de Álvares, estava mais encaixado no gosto do público, não entrando em temáticas tão mórbidas. Por último, temos Fagundes Varela, poeta em transição, com algumas poesias que começavam a voltar seu olhar para a sociedade.

TERCEIRA GERAÇÃO DO ROMANTISMO

A terceira geração romântica surge em meados de 60 e dura até o fim do Romantismo, em 1880. Com inspiração em Victor Hugo, esta geração traz uma poesia com foco político e social, marcada pelo momento em que as ideias abolicionistas e republicanas vinham à tona e. o desejo de libertar-se da realidade atrasada do Império era forte.

É uma fase que já anuncia a mudança para o Realismo, pois tirava o foco do ‘eu’ e colocava este foco no assunto e na realidade social, trazendo postura crítica e uma poesia liberal ao invés da simples exaltação e estagnação das primeiras gerações que trazia uma poesia exagerada e idealizada demais.

CONDODEIRISMO
O nome condodeirismo não vem à toa: seguindo os ideais de liberdade, temos neste nome a figura do condor, ave que dava um alto voo, assim como os poetas o faziam ao sonhar alto e lutar pelos seus ideais libertários.

Obras e autores da terceira geração
Nesta geração o nome mais famoso é o de Castro Alves, com seu épico O Navio Negreiro. Temos também Joaquim de Sousa Andrade e José Joaquim de Campos Leão.

GONÇALVES DIAS

Antônio Gonçalves Dias nasceu a 10 de agosto de 1823, nos arredores de Caxias, no Maranhão. Filho natural de português e mestiça, com a morte do pai, que, entretanto, se casara regularmente, é enviado pela madrasta a estudar Direito em Coimbra (1838). Durante o curso, escreveu seus primeiros versos e participa do grupo de poetas medievistas que se reunia em torno de O Trovador. Formado em 1844, regressa ao Maranhão, e conhece Ana Amélia Ferreira do Vale, que lhe inspiraria, mais tarde o poema “Ainda uma vez – adeus!”. Em 1846, muda-se para o Rio de Janeiro, onde se dedica ao magistério (professor de latim e História do Brasil no Colégio Pedro II), ao jornalismo (redator da revista Guanabara) e à elaboração da sua obra poética, teatral e etnográfica e historiográfica, a última das quais relacionada com as várias missões que lhe são destinadas, aqui e no estrangeiro. Faleceu ao regressar de uma viagem à Europa, no naufrágio do “Ville de Boulogne”, já próximo do Maranhão, a 3 de novembro de 1864. Escreveu: Primeiros Cantos (1846). Leonor de Mendonça, teatro (1847), Segundos Cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848), Últimos Cantos (1851), Os Timbiras (1857), Dicionário da Língua Tupi (1858), Obras Póstumas, 6 volumes, organizadas por Antônio Henriques Leal (1868-1869).
Primeiro poeta autenticamente brasileiro, na sensibilidade e na temática, e das mais altas vozes de nosso lirismo.

Características de seu estilo literário:

- Representação romântica e valorização do indígena brasileiro e sua cultura.
- Poesias escritas buscando sempre a perfeição rítmica e formal.
- Poemas marcados pela presença de rima, musicalidade e métrica.
- Retratou também, de forma positiva, os negros.
- Exaltou as belezas naturais do Brasil.
- Retratou temas ligados aos valores medievais (principalmente dos cavaleiros), transportados para o contexto brasileiro.
- Abordou também a religiosidade de caráter cristão.
- Em suas poesias, abordou o sentimentalismo.

Marabá - Gonçalves Dias

Eu vivo sozinha; ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá?
Se algum dentre os homens de mim não se esconde,
— Tu és, me responde,
— Tu és Marabá!

— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
"Teus olhos são garços,
Responde anojado; "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
"Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!"

— É alvo meu rosto da alvura dos lírios,
— Da cor das areias batidas do mar;
— As aves mais brancas, as conchas mais puras
— Não têm mais alvura, não têm mais brilhar.

Se ainda me escuta meus agros delírios:
"És alva de lírios",
Sorrindo responde; "mas és Marabá:
"Quero antes um rosto de jambo corado,
"Um rosto crestado
"Do sol do deserto, não flor de cajá."

— Meu colo de leve se encurva engraçado,
— Como hástea pendente do cáctus em flor;
— Mimosa, indolente, resvalo no prado,
— Como um soluçado suspiro de amor! —

"Eu amo a estatura flexível, ligeira,
"Qual duma palmeira,
Então me responde; "tu és Marabá:
"Quero antes o colo da ema orgulhosa,
"Que pisa vaidosa,
"Que as flóreas campinas governa, onde está."

— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram,
— De os ver tão formosos como um beija-flor!

Mas eles respondem: "Teus longos cabelos,
"São loiros, são belos,
"Mas são anelados; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos,
"Cabelos compridos,
"Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá."

E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d'acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:

Jamais um guerreiro da minha arazóia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!

ANÁLISE – MARABÁ

No poema Marabá de Gonçalves Dias, é possível perceber a presença marcante do Romantismo. Essa presença é logo apresentada no tema geral do poema: "amor-melancolia; amor-desespero; amor-desilusão". É em torno do embate entre Marabá e os guerreiros que se dá esse amor desiludido.
Outra característica se apresenta na construção da personagem Marabá (índia mestiça) em oposição a índia verdadeiramente brasileira. Ora, é sabedor que o índio constitui elemento singular em nossa literatura romântica. Seus traços brasileiros ganharam tanta conotação que embora Marabá seja, apesar de mestiça, bonita, ainda sim é rejeitada pois não se enquadra na descrição do indígena transplantado para a nossa literatura.
outros elementos também merecem um olhar diferenciado: linguagem poética carregada de metáforas que exaltam o elemento paisagístico (brisa, beija-flor), paralelismo, jogo de palavras, presença de duas vozes (Marabá e o guerreiro) intercalando as ações: ora Marabá ressalta a sua própria beleza, ora é o guerreiro que ressalta a beleza indígena por ele preferida. E nesse vai e vem de exposição do belo, Marabá se dá conta que a sua beleza é desprestigiada naquele meio social. Um exemplo de lirismo em que a figura do elemento indígena adquire a conotação de elemento principal do nosso período romântico.



EXERCÍCIOS

(FUVEST/2001)

Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso... e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.

(Álvares de Azevedo, "Luar de Verão", Lira dos vinte anos.)

a) ironia romântica.
b) tendência romântica.
c) melancolia romântica.
d) aversão dos românticos à natureza.
e) fuga romântica para o sonho.

(UEL-PR/1999) Considere as seguintes afirmações sobre poetas do nosso Romantismo:

I- O caráter intimista da poesia de Álvares de Azevedo não impediu que ele se manifestasse também na forma da sátira.
II- O tom declamatório da poesia abolicionista de Castro Alves está intimimamente ligado à sua função: conclamar o público a assumir uma possição combativa.
III- Há, na poesia de Gonçalves Dias, interesse em exaltar a natureza tropical e o nobre caráter dos nossos índios.
É correto o que está afirmado:

a) somente em II.
b) somente em I e II.
c) somente em I e III.
d) somente em II e III
e) em I, II e III.

(FUVEST/1996) Tomadas em conjunto, as obras de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Castro Alves demonstram que, no Brasil, a poesia romântica:

a) pouco deveu às literaturas estrangeiras, consolidando de forma homogênea a inclinação sentimental e o anseio nacionalista dos escritores da época.
b) repercutiu, com efeitos locais, diferentes valores e tonalidades da literatura européia: a dignidade do homem natural, a exacerbação das paixões e a crença em lutas libertárias.
c) constituiu um painel de estilos diversificados, cada um dos poetas criando livremente sua linguagem, mas preocupados todos com a afirmação dos ideais abolicionistas e republicanos.
d) refletiu as tendências ao intimismo e à morbidez de alguns poetas europeus, evitando ocupar-se com temas sociais e históricos, tidos como prosaicos.
e) cultuou sobretudo o satanismo, inspirado no poeta inglês Byron, e a memória nostálgica das civilizações da Antigüidade clássica, representadas por suas ruínas.

(UE-Londrina) Gonçalves Dias se destaca no panorama da primeira fase romântica pelas suas qualidades superiores de artista. Nele:

a) a pátria é retratada de maneira que se tenha um registro fiel da sua fauna e flora, sem interferência da emoção do poeta, como em “Canção do Exílio”.
b) a persistência de traços do espírito clássico impede o exagero do sentimentalismo, encontrado, por exemplo, em Casimiro de Abreu.
c) o indianismo é fiel à verdade da vida indígena, não apresentando a distorção poética observada em outros escritores.
d) protótipo do byroniano, convivem lado a lado o humor negro e o extremo idealismo.
e) predomina a poesia lírica de recuperação da infância, com acentuado tom saudosista, tão evidente em “Meus Oito Anos”.

(UFOP) A afirmativa correta é:

a) Gonçalves Dias em sua poesia busca a perfeição formal e o absoluto rigor da métrica, de acordo com o que preconiza a estética romântica.
b) Gonçalves Dias, quase unanimemente considerado pela crítica o nosso primeiro grande poeta romântico, explorou o tema indianista como afirmação da nossa nacionalidade, segundo a crença romântica, e foi mais além ao mostrar-se talentoso na exaltação da natureza e profundamente lírico em poemas como, por exemplo: Ainda uma vez — Adeus!, Como! És tu?, dentre outros.
c) Para Gonçalves Dias a poesia não narra, não descreve e não é didática. A poesia deve apenas sugerir, pois faz uso da linguagem poética em oposição à linguagem utilitária da prosa, da filosofia e da ciência que faz uso dos signos ordinários do cotidiano.
d) Talvez tenha sido Gonçalves Dias o único grande poeta brasileiro a alcançar almejado ideal da “impassibilidade”, possibilitando, com isso, uma poesia reveladora da realidade exterior, formando, com Castro Alves, a verdadeira poesia empenhada de nossa literatura.
e) Nenhuma das alternativas está correta.

A poesia lírico-amorosa deixa nítida uma das vertentes norteadoras da obra desse grande representante de nossas letras – Gonçalves Dias. Dessa forma, acerca dos conhecimentos de que dispõe sobre esse perfil do artista em questão, analise o poema a seguir, procurando deixar suas marcas de impressão acerca dele:

Ainda Uma Vez Adeus

                      I
Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

[...]

                    VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t'esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!
                      IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!

[...]

Resposta: Além do perfil voltado para o exaltar do nacionalismo, envolvendo, consequentemente, as questões voltadas para o nativo acima de tudo, Gonçalves Dias também cultuou, como expresso no próprio enunciado, a poesia lírico-amorosa, traço demarcante de toda a sua habilidade enquanto artista dos versos. Dessa forma, nota-se por meio do poema em análise que o amor é visto como um sentimento aquém, um sentimento não concretizado, ainda que cultivado.  Os versos últimos, ora retratados abaixo, tão bem nos demonstram que, apesar das desilusões amorosas, o eu-lírico não cansou de lutar, alegando que por mais que tenha sido um erro, um engano, o sacrifício foi cumprido, uma vez que o amor se fez tão grande, que a própria vida daria conta de toda essa imensidão. Não bastassem todas essas conclusões, ele ainda deixa claro que engano foi, mas não um engano passível de ser considerado um crime.

Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!

Recorrendo às características pertinentes à era romântica, sobretudo àquela demarcada pela primeira geração, cujo representante maior foi Gonçalves Dias, atente ao poema que segue, analisando-o e destacando dele tais características:

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.



Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.



Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.



Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.



Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


Resposta: O nacionalismo, tão cultuado pelo poeta em estudo, ressoava marcas de uma nação recentemente liberta das amarras de Portugal, que por tanto tempo se fez dominador nessas terras. Assim, traços ideológicos como esse tão bem casavam com a situação, visto que as belezas aqui encontradas, sobretudo aquelas condizentes aos aspectos naturais, à própria cultura propriamente dita, levando em conta as origens, as raízes, representavam marcas aparentes e, portanto, passíveis de serem exaltadas. Dessa forma, até mesmo no exílio, mais especificamente em Portugal, o poeta não deixou de mencionar, nitidamente demarcado pelo uso dos advérbios “cá” e “lá”, que aqui até o gorjeio das aves se manifestava de forma diferente, já não falando das várzeas, dos bosques, do céu, enfim.


Camila Menezes Maia