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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Literatura Brasileira: Modernismo

Modernismo

Pode-se entender o Modernismo como um movimento literário e artístico que teve início no século XX com o objetivo de romper com o tradicionalismo. Buscavam a libertação estética, a experimentação constante e, acima de tudo, a independência cultural do país. No Brasil, o Modernismo deu seus primeiros passos com a Semana de Arte Moderna em 1922 na cidade de São Paulo.
O Modernismo Brasileiro teve sua culminância com a Semana de Arte Moderna, entretanto, as ideias modernistas já rondavam o país muito antes da Semana de 1922.  O desejo de mostrar um Brasil de verdade, com suas favelas, seu povo sofrido, marginalizado, sem os idealismos românticos, começou em 1902 com a obra “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, que descreveu a Guerra de Canudos. Em 1911, “Triste fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto, de forma crítica, mas bem-humorada, trouxe a temática do nacionalismo. Já em 1910, Monteiro Lobato apareceu mostrando o Brasil de Jeca Tatu e do Sítio do Pica-pau amarelo.
Na Europa, no início do Século XX, 
as vanguardas traziam um novo conceito de arte. Esse novo conceito começou a chegar ao Brasil através dos intelectuais que viajaram para lá. Em 1912, por exemplo, Oswald de Andrade fez sua primeira viagem pela Europa e impressionou-se com um movimento denominado Futurismo de Marinetti. Retornando ao Brasil, escreveu “Último passeio de um tuberculoso, pela cidade, de bonde. ” O poema não teve boa aceitação por parte do público, o que fez com que seu autor o eliminasse.
O conhecimento das correntes de vanguarda e o desejo de concretizar uma arte moderna brasileira, valorizando o nacional e eliminando as imitações europeias, possibilitaram o início do Modernismo no Brasil.


O Modernismo Brasileiro foi dividido em três fases:

Primeira Fase (1922-1930)

Com a Semana de Arte Moderna em 1922 tem início a Primeira Fase do Modernismo, que também é chamada de Fase Heroica. Pode-se caracterizar tal fase por um maior compromisso dos artistas com a renovação estética inspiradas nas vanguardas europeias como o cubismo, o futurismo, o surrealismo e outros. A linguagem literária tenta romper com o tradicional, sendo algumas dessas mudanças: a liberdade formal, a valorização do cotidiano, reescritura de textos do passado, etc. É também importante ressaltar que foi durante este período que surgiram os grupos de movimento modernista, entre eles o Pau-Brasil, Antropófago e Verde-Amarelismo, por exemplo.

Características

- Rompimento com as estruturas do passado;
- Anarquismo, sentido destruidor;
- Volta às origens;
- Linguagem coloquial;
- Valorização do índio brasileiro;
- Nacionalismo ufanista, exagerado e utópico;
- Caráter revolucionário.

Segunda Fase (1930-1945)

Também chamada de Fase de Consolidação, a Segunda Fase do Modernismo é caracterizada pelo predomínio da prosa de ficção. É nesse período que os ideais difundidos na fase anterior se espalham e normalizam os esforços de antes para redefinir a linguagem artística, que acaba por se unir a um grande interesse pelas temáticas nacionalistas. As novas obras dos autores da Primeira Fase acabam amadurecendo e surgem novos grandes poetas, como Carlos Drummond de Andrade.
Características

- Amadurecimento das ideias de 1922;
- Nova postura artística;
- Versos livres;
- Poesia sintética;
- Nacionalismo, universalismo E regionalismo;
- Literatura construtiva e politizada.

Terceira Fase (1945-1960)

Nesta fase a prosa dá sequência às três tendências observadas na Segunda Fase, que são: a prosa urbana, intimista e regionalista, com certa renovação formal. A poesia desse período conta com os poetas que apareceram na fase anterior, afinal eles continuam em constante renovação. Foi criado um grupo de escritores que se autodenominaram de “geração 45”, seus membros procuravam por uma poesia equilibrada e séria, sendo até chamados pelas outras pessoas de neoparnasianos.
Características

- Academicismo;
- Retorno ao passado;
- Oposição à liberdade formal;
- Valorização da métrica e da rima;
- Linguagem mais objetiva;
- Metalinguagem.


Grupos de movimento modernista


Pau-Brasil

O Movimento Pau-Brasil foi um movimento artístico lançado no Brasil em 1924 por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral que apresentava uma posição primitivista, buscando uma poesia ingênua, de redescoberta do mundo e do Brasil e que foi inspirada nos movimentos de vanguarda europeus, devido às viagens que Oswald fazia à Europa. Como se pode observar nos postulados básicos do manifesto, as preocupações principais do movimento eram: expor ao ridículo as posturas solenes, as formas gastas, a escrita empolada, a sujeição aos modelos europeus (explorar assuntos nacionais), abolir a barreira tradicional entre a poesia e prosa, valorizar a invenção e a surpresa.
O movimento exaltava a inovação na poesia, o primitivismo e a era presente, ao mesmo tempo em que repudiava a linguagem retórica na poesia. Convivem dialeticamente o primitivo e o moderno, o nacional e o cosmopolita, sendo ideologicamente a raiz do Movimento Antropofágico.

Antropófago

Publicado na "Revista Antropofagia" (1928), Manifesto Antropofágico propunha: alimentar-se de tudo o que o estrangeiro traz para o Brasil, sugar-lhe todas as ideias e uni-las às brasileiras, realizando assim uma produção artística e cultural rica, criativa, única e própria. Era preciso desvincular-se de laços passados, como o simbolismo, ainda fortemente presente naquela época. O nome do manifesto recuperava a crença indígena: os índios antropófagos comiam o inimigo, supondo que assim estavam assimilando suas qualidades. A idéia do manifesto surgiu quando Tarsila do Amaral, para presentear o então marido Oswald de Andrade, deu-lhe como presente de aniversário a tela Abaporu (aba = homem; poru = que come).
Escrito com a ajuda de Mário de Andrade e Raul Bopp, é considerado o mais radical de todos os manifestos da primeira fase do Movimento Modernista. Ao resgatar a crença indígena de que os índios antropófagos, ao comerem seus inimigos, estariam assimilando suas qualidades, ele defende uma espécie de projeto de resistência às incorporações feitas sem o devido senso crítico, A proposta era “devorar” a cultura e técnicas estrangeiras e submetê-las a uma digestão crítica em nosso estômago cultural, de forma assimilá-las ou ainda vomitá-las, se fossem consideradas impróprias ou indesejáveis.

Verde-Amarelismo


Em 1926, como uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil, surge o grupo do Verde-Amarelismo, formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. O grupo criticava o "nacionalismo afrancesado" de Oswald de Andrade e apresentava como proposta um nacionalismo primitivista, ufanista e identificado com o fascismo, que evoluiria, no início da década de 30, para o Integralismo de Plínio Salgado. Parte-se para a idolatria do tupi e elege-se a anta como símbolo nacional.
O grupo verde-amarelista também faria publicar um manifesto no jornal Correio Paulistano, edição de 17 de maio de 1929, intitulado "Nhengaçu Verde-Amarelo - Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta", que, entre outras coisas, afirmava:
"O grupo 'verdamarelo', cuja regra é a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser e puder; cuja condição é cada um interpretar o seu país e o seu povo através de si mesmo, da própria determinação instintiva; - o grupo `verdamarelo', à tirania das sistematizações ideológicas, responde com a sua alforria e a amplitude sem obstáculo de sua ação brasileira (...)
Aceitamos todas as instituições conservadoras, pois é dentro delas mesmo que faremos a inevitável renovação do Brasil, como o fez, através de quatro séculos, a alma da nossa gente, através de todas as expressões históricas.
Nosso nacionalismo é `verdamarelo' e tupi. (...)"

Características do Modernismo

Na literatura brasileira, as principais características do Modernismo são:
- Fragmentação;
- Síntese;
- Busca pela linguagem brasileira;
- Nacionalismo;
- Ironia, humor E paródia;
- Relato do cotidiano;
- Revisão crítica do passado histórico e cultural;
- Subjetivismo;
- Versos livres;
- Ousadia e inovação.



                                 Oswald de Andrade


Oswald de Andrade (1890-1954) nasceu em São Paulo, no dia 11 de janeiro de 1890. Filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e Inês Henriqueta Inglês de Souza Andrade. Estudou Ciências e Letras no Ginásio de São Bento, onde ouviu de um professor que ia ser escritor. Passou a comprar livros e a escrever. Em 1909, O Diário Popular publicou seu primeiro artigo “Penando”, uma reportagem da excursão do presidente Afonso Pena aos Estados do Paraná e Santa Catarina. Em 1911, fundou a revista semanal “O Pirralho”, que ele mesmo dirigiu, junto com Alcântara Machado e Juó Bananère. O semanário contava, entre outros colaboradores, com o pintor Di Cavalcanti.
 Fundou junto com Tarsila o "Movimento Antropófago". Foi uma das personalidades mais polêmicas do Modernismo. Era irônico e gozador, teve uma vida atribulada, foi militante político, foi o idealizador dos principais manifestos modernistas. Ao lado da pintora Anita Malfatti, do escritor Mário de Andrade e de outros intelectuais organizou a Semana de Arte Moderna de 1922.
O autor escreveu a primeira obra modernista, “Pau-Brasil”, um livro de poemas. Escreveu também dois importantes textos para o modernismo, o “Manifesto Antropófago”, publicado na Revista da Antropofagia, que Oswald colaborou na criação, e o “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, publicado em 1924 no “Correio da Manhã”.  
Oswald de Andrade acreditava que a cultura brasileira, assim como o pau-brasil da época do Brasil colônia, poderia ser exportada, tinha qualidade para isso. Para o autor, a arte precisa ser mais autêntica, original. O escritor buscava a cultura que não era tradicional, queria romper com o convencionalismo. Foi ele que, inspirado pela arte que estava sendo feita na Europa, percebeu que era possível unir a cultura mais popular e a erudita.
José Oswald de Sousa Andrade morreu em São Paulo, no dia 22 de outubro de 1954.


Obras de Oswald de Andrade

Os Condenados, romance, 1922
Memórias Sentimentais de João Miramar, romance, 1924
Manifesto Pau-Brasil, 1925
Pau-Brasil, poesias, 1925
Estrela de Absinto, romance, 1927
Primeiro Caderno de Poesia do Aluno Oswald de Andrade, 1927
Manifesto Antropófago, 1928
Serafim Pontes Grande, romance, 1933
O Homem e o Cavalo, teatro, 1934
O Rei da Vela, teatro, 1937
A Morta, teatro, 1937
Marco Zero I - A Revolução Melancólica, romance, 1943
A Arcádia e a Inconfidência, ensaio, 1945
Ponta de Lança, ensaio, 1945
Marco Zero II - Chão, romance, 1946
A Crise da Filosofia Messiânica, 1946
O Rei Floquinhos, teatro, 1953
Um Homem Sem Profissão, memórias, 1954
A Marcha das Utopias, 1966 (edição póstuma)
Poesias Reunidas, (edição póstuma)
Telefonemas, crônicas, (edição póstuma)

Características de seu estilo literário:

Oswald de Andrade pregava a liberdade na construção do texto, deixando de lado as formalidades encontradas nas obras dos períodos anteriores. O autor buscava, principalmente, formar uma identidade nacional, acreditava na relevância da cultura brasileira.
Em seus poemas, Oswald de Andrade afirma uma imagem de Brasil marcada pelo humor, pela ironia e também por uma crítica profunda e um imenso amor pelo país, como atesta o lirismo de muitos de seus versos.
Uma visão crítica da história do Brasil se manifesta na releitura de textos e eventos do período colonial do país.

Principais características:

- Ruptura com a gramática normativa;
- Coloquial e repleta de humor;
-Simplicidade da linguagem;
- Temáticas cotidianas;
- Nacionalismo.



Pronominais- Oswald de Andrade

Dê-me um cigarro Diz a gramática

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro 


Análise do poema Pronominais: Podemos perceber aqui que o poeta sutilmente faz uma crítica à questão do formalismo linguístico tanto explorado por artistas, principalmente do Parnasianismo, como é o caso de Olavo Bilac. Quando ele se refere à Nação Brasileira, está justamente colocando em prática o nacionalismo e as características que lhes são peculiares.


Brasil- Oswald de Andrade
Para Trolyr

O Zé Pereira chegou de caravela
E perguntou pro guarani da mata virgem
- Sois cristão?
- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
- Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval

Análise do poema Brasil de Oswald de Andrade: O tom coloquial do poema recria o modo irônico  a chegada dos portugueses. O momento, normalmente tratado de modo solene, é apresentado a partir de uma perspectiva irreverente. O diálogo entre o índio Guarani e o Zé Pereira, ou seja, um indivíduo qualquer, ilustra  as muitas influências e vozes que contribuíram para a definição do caráter nacional.


EXERCÍCIOS

1- (UNIFESP – SP)     SENHOR FEUDAL- Oswald de Andrade
Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia.
O título do poema de Oswald remete o leitor à Idade Média. Nele, assim como nas cantigas de amor, a ideia de poder retoma o conceito de
a) fé religiosa.
b) relação de vassalagem.
c) idealização do amor.
d) saudade de um ente distante.
e) igualdade entre as pessoas.


2- Assinale a alternativa em que se encontram preocupações estéticas da Primeira Geração Modernista:
a). Principal corrente de vanguarda da Literatura Brasileira, rompeu com a estrutura discursiva do verso tradicional, valendo-se de materiais gráficos e visuais que transformaram a estrutura do poema.
b). Busca pelo sentido da existência humana, confronto entre o homem e a realidade, reflexão filosófico-existencialista, espiritualismo, preocupação social e política, metalinguagem e sensualismo.
c). Os escritores de maior destaque da primeira fase do Modernismo defendiam a reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais, revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais, eliminação do complexo de colonizados e uso de uma linguagem própria da cultura brasileira.
d). Amadurecimento da prosa, sobretudo do romance, enfoque mais direto dos fatos, influência da estética Realista-Naturalista do século XIX e caráter documental, como no livro Vidas secas, de Graciliano Ramos.


3- Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.
(Oswald de Andrade)
Sobre o poema de Oswald de Andrade, julgue as seguintes proposições:
I. O poema de Oswald de Andrade volta-se contra o preconceito linguístico e nos chama a atenção para a necessidade de uma espécie de ética linguística pautada na diferença entre as línguas, nesse caso em uma única língua.
II. O poema critica a maneira de falar do povo brasileiro, sobretudo das classes incultas que desconhecem o nível formal da língua.
III. Para ele, os falantes que dizem “mio”, “mió”, “pió”, “teia”, “teiado”, de certa forma, constroem um “telhado”, ou seja, criam novas formas de pronúncia que se sobressaem, em muitos casos, à norma culta.
IV. A palavra “vício”, encontrada no título do poema, denota certo preconceito linguístico do autor, que julga a norma culta superior ao coloquialismo presente na fala das pessoas menos esclarecidas.
a) Todas estão corretas.
b) I e III estão corretas.
c) I, III e IV estão corretas.
d) II e III estão corretas.

4- (ENEM 2012) O trovador

Sentimentos em mim do asperamente
dos homens das primeiras eras…
As primaveras do sarcasmo
intermitentemente no meu coração arlequinal…
Intermitentemente…
Outras vezes é um doente, um frio
na minha alma doente como um longo som redondo…
Cantabona! Cantabona!
Dlorom…
Sou um tupi tangendo um alaúde!
ANDRADE, M. In: MANFIO, D. Z. (Org.) Poesias completas de Mário de Andrade.
Belo Horizonte: Itatiaia, 2005.
Cara ao Modernismo, a questão da identidade nacional é recorrente na prosa e na poesia de Mário de Andrade. Em O trovador, esse aspecto é
a) abordado subliminarmente, por meio de expressões como “coração arlequinal” que, evocando o carnaval, remete à brasilidade.
b) verificado já no título, que remete aos repentistas nordestinos, estudados por Mário de Andrade em suas viagens e pesquisas folclóricas.
c) lamentado pelo eu lírico, tanto no uso de expressões como “Sentimentos em mim do asperamente” (v. 1), “frio” (v. 6), “alma doente” (v. 7), como pelo som triste do alaúde “Dlorom” (v. 9).
d) problematizado na oposição tupi (selvagem) x alaúde (civilizado), apontando a síntese nacional que seria proposta no Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.
e) exaltado pelo eu lírico, que evoca os “sentimentos dos homens das primeiras eras” para mostrar o orgulho brasileiro por suas raízes indígenas.

5- São características da obra de Oswald de Andrade, exceto:
a) A obra de Oswald de Andrade representa um dos cortes mais profundos do modernismo brasileiro em relação à cultura do passado.
b) Sua obra é debochada, irônica e crítica, sempre pronta para satirizar os meios acadêmicos ou a própria burguesia, classe da qual se originara.
c) A linguagem utilizada por Oswald caracteriza-se pela síntese, pelas rupturas sintáticas e lógicas, pelas imagens bruscas e pela fragmentação.
d) Em sua obra estão presentes o lirismo, a piada, a imaginação, a fala popular, a ironia, os 
flashes cinematográficos, todos elementos observados nos chamados poemas-minuto.
e) Os temas mais comuns de sua obra são a paixão pela vida, a morte, o amor e o erotismo, a solidão, a angústia existencial, o cotidiano e a infância.

Respostas:
1- B. Nada mais notório que a relação entre “Senhor Feudal” e a organização social da Idade Média e a instituição da suserania e vassalagem. No poema de Oswald, podemos perceber as características que nortearam sua obra, como a liberdade na construção do texto, deixando de lado aspectos formais encontrados nas obras dos períodos anteriores, entre eles o romantismo e o parnasianismo. Assim como Mário de Andrade, o escritor buscava a formação de uma identidade nacional, pois acreditava na relevância da cultura brasileira.

2- C. A primeira fase modernista surgiu do anseio de escritores como Mário de Andrade e Manuel Bandeira por mudanças na Literatura Brasileira. Para a criação de uma Literatura genuinamente nacional, pregavam a ruptura com os padrões clássicos impostos pela cultura europeia. Na linguagem, defendiam uma língua sem arcaísmos, livre de erudição.

3- B. Em razão do projeto político do autor e da escola literária à qual Oswald de Andrade pertencia, podemos afirmar que o “vício” é, na verdade, uma virtude, uma marca de regionalismo importante para a construção da identidade nacional, bandeira defendida pelos primeiros modernistas. Através da linguagem, Oswald conseguiu contrastar as diferenças entre a classe culta e a classe operária, essa última responsável por usar variantes e regionalismos. Contudo, não há intenção preconceituosa no posicionamento de Oswald, que sempre buscou a valorização do Brasil real presente na linguagem empregada pelo povo.

4- D. A obra de Mário de Andrade é um retrato fiel da primeira fase do Modernismo, principalmente no tema da identidade nacional. No poema, precisamos perceber uma visão crítica por parte do autor, quando choca a ideia do tupi (selvagem) e do alaúde (civilizado), ingredientes importantes na formação do Brasil. A linguagem metaforizada e o tema da síntese cultural do Brasil lembram o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade, que tinha como objetivo falar da dependência cultural existente no Brasil.

5- E. As características descritas na alternativa “e” fazem referência à obra de Manuel Bandeira, que, ao lado de Oswald e Mário de Andrade, formou a famosa tríade modernista, responsável por difundir os ideais modernistas. Entre esses ideais, a construção de uma literatura genuinamente brasileira que falasse de seu povo e de seus costumes por meio de uma linguagem livre de arcaísmos, na qual os temas do cotidiano, o nacionalismo, o humor e a ironia fossem privilegiados.



Marcela Almeida

terça-feira, 30 de maio de 2017

Analisando um Poema e Exercícios

Poemas analisados (Gerações Romantismo) – Prof. Ítalo Puccini 

O canto do guerreiro (Gonçalves Dias)

I

Aqui na floresta Dos ventos batida, Façanhas de bravos Não geram escravos, Que estimem a vida Sem guerra e lidar. - Ouvi-me, Guerreiros. - Ouvi meu cantar.

II

Valente na guerra Quem há, como eu sou? Quem vibra o tacape Com mais valentia? Quem golpes daria Fatais, como eu dou? - Guerreiros, ouvi-me; - Quem há, como eu sou?

Análise: Na pergunta feita pelo guerreiro, podemos identificar uma outra, implícita: quem há como os brasileiros, descendentes de seres tão nobres? Assim tem início, em poemas como esse, a construção de uma imagem de nacionalidade definida pelos símbolos pátrios. O cenário é a selva, composta por uma natureza intocada pelos colonizadores. O eu lírico relata feitos de guerra e caçadas, atividades frequentes dos povos nativos da América. As características dos indígenas são sempre positivas e enaltecedoras: bravura, honra, lealdade. Para o poeta, a história a ser resgatada não pode ignorar a chegada dos portugueses e o massacre das tribos indígenas. Por isso, em “Deprecação”, o eu lírico dirige um apelo ao deus Tupã:

Deprecação (Gonçalves Dias)

Tupã, ó Deus grande! cobriste o teu rosto Com denso velâmen de penas gentis; E jazem teus filhos clamando vingança Dos bens que lhes deste da perda infeliz!

(...)

Anhangá impiedoso nos trouxe de longe Os homens que o raio manejam cruentos, Que vivem sem pátria, que vagam sem tino
Trás do ouro correndo, voraces, sedentos.

E a terra em que pisam, e os campos e os rios Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus: Por que lhes concedes tão alta pujança, Se os raios de morte, que vibram, são teus?

Análise: Com a popularidade alcançada pelos poemas de Gonçalves Dias, o projeto literário da poesia da primeira geração ganha força. Os brasileiros vão tomando contato com os heroicos guerreiros indígenas que lutaram contra os conquistadores portugueses. Como ancestrais, os índios se moldam perfeitamente ao papel literário que lhes cabe: delinear os contornos da nacionalidade a partir de traços positivos, como a honra e a coragem.

_ _ _ _ _

Quando à noite no leito perfumado (Alvares de Azevedo)

Quando, à noite, no leito perfumado Lânguida fronte no sonhar reclinas, No vapor da ilusão por que te orvalha Pranto de amor as pálpebras divinas?

E, quando eu te contemplo adormecida Solto o cabelo no suave leito, Por que um suspiro tépido ressona E desmaia suavíssimo em teu peito?

Virgem do meu amor, o beijo a furto Que pouso em tua face adormecida Não te lembra do peito os meus amores E a febre do sonhar de minha vida?

Dorme, ó anjo de amor! no teu silêncio O meu peito se afoga de ternura... E sinto que o porvir não vale um beijo E o céu um teu suspiro de ventura!

Um beijo divinal que acende as veias, Que de encantos os olhos ilumina, Colhido a medo, como flor da noite, Do teu lábio na rosa purpurina...

E um volver de teus olhos transparentes, Um olhar dessa pálpebra sombria Talvez pudessem reviver-me n’alma As santas ilusões de que eu vivia!

Análise: Observe a “cena amorosa” criada no poema: o eu lírico descreve uma mulher que dorme. Ela é apresentada de acordo com os clichês ultra-românticos (virginal, de
rosto lânguido, expressão sonhadora, cabelos soltos). A aproximação e o beijo roubado (terceira estrofe) acontece com a donzela adormecida. Essa condição é o que permite a aproximação sem risco de concretização do encontro amoroso. Enquanto ela dorme e sonha, ele nos fala sobre as suas fantasias, deixando claro que é governado pela “febre do sonhar”.   No apelo para que a virgem permaneça adormecida, o eu lírico deixa entrever sua opção pela fantasia. Ela não evita, porém, a manifestação do desejo: ele afirma que o futuro vale menos que um beijo; o céu, menos que um suspiro de alegria da mulher amada. Nas duas últimas estrofes, o eu lírico, ao mesmo tempo em que associa a manifestação física do amor ao medo (o beijo divinal é “colhido a medo”), afirma o desejo de ter revividas as ilusões que animavam sua vida.  _ _ _ _ _

Meus oito anos (Casimiro de Abreu)

Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias Do despontar da existência! - Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é – lago sereno, O céu – um manto azulado, O mundo – um sonho dourado, A vida – um hino d’amor!

Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar! O céu bordado d’estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar!

Análise: Todas as imagens associadas à infância são positivas. A natureza é caracterizada por árvores de sombra acolhedora, o mar é como um lago sereno e o céu é estrelado. Nesse cenário paradisíaco do passado, emerge o traço principal que torna a infância um momento tão saudoso para o ultra-romântico: era o tempo da inocência. Casimiro de Abreu fala explicitamente disso quando afirma que a alma da criança respira “inocência” e menciona as brincadeiras “ingênuas”. A inocência da criança é perdida na idade adulta. O poema representa uma possibilidade de reviver, de forma idealizada, esse tempo perdido.
_ _ _ _ _

Tragédia no lar (Castro Alves)

(...) Leitor, se não tens desprezo  De vir descer às senzalas, Trocar tapetes e salas Por um alcouce cruel, Vem comigo, mas... cuidado... Que o teu vestido bordado Não fique no chão manchado, No chão do imundo bordel.

Não venhas tu que achas triste Às vezes a própria festa. Tu, grande, que nunca ouviste Senão gemidos da orquestra Por que despertar tu’alma, Em sedas adormecida, Esta excrescência da vida Que ocultas com tanto esmero?

(...)

Não venham esses que negam  A esmola ao leproso, ao pobre. A luva branca do nobre Oh! senhores, não mancheis... Os pés lá pisam em lama, Porém as frontes são puras Mas vós nas faces impuras Tendes lodo, e pus nos pés.

Análise: Os últimos versos são irônicos: o eu lírico confronta a pureza dos escravos à imundície dos senhores. Também são irônicos os versos que advertem as moças para que tenham cuidado e não manchem os vestidos bordados no chão imundo da senzala. O mesmo jogo é retomado, na última estrofe, em relação às luvas brancas do nobre.  Por meio de cenas como estas, fica clara a intenção do poeta: há, na sociedade brasileira, uma sujeira profunda que precisa ser lavada. A mancha da escravidão contamina o tecido social. Embora a elite se mostre elegante nas festas e bailes que frequenta, não conseguirá se livrar da alma causada pela exploração imperdoável de um povo.  _ _ _ _ _






Exercícios preparatórios P8 – Literatura – Prof. Ítalo Puccini

1. Leia o texto abaixo e assinale V para Verdadeiro e F para Falso:

“Portanto, ilustres e não ilustres representantes da crítica, não se constranjam. Censurem, piquem, ou calem-se como lhes aprouver. Não alcançarão jamais que eu escreva neste meu Brasil cousa que pareça vinda em conserva lá da outra banda, como a fruta que nos mandam em lata. (...) O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”

(ALENCAR, José de. Benção Paterna. In: Sonhos de Ouro. São Paulo: Melhoramentos, s.d.)

(  ) Envolvidos pelo ideário político da independência, Alencar e outros escritores românticos empenham-se na construção da nação brasileira, através da luta pela emancipação da língua e da literatura nacionais. (  ) Na história da literatura brasileira, no percurso que vai do Romantismo ao Modernismo, a bandeira da ruptura com o princípio da imitação aos clássicos é empunhada por todas as escolas literárias. (  ) No segundo parágrafo, Alencar opõe, metonimicamente, por meio das frutas, o ambiente brasileiro ao ambiente europeu. (  ) O texto dá a entender que a língua se adapta ao meio para aonde foi levada, mais precisamente aos órgãos fonadores e à alma do povo que fala.

2. (U.E. Ponta Grossa-PR) A poesia romântica brasileira, em seus diversos momentos, apresenta como características:

01. escapismo e subjetivismo; 02. naturalismo e pitoresco; 04. nacionalismo e crítica social; 08. socialismo e ilogismo; 16. religiosidade e excessos.

( )

3. São características da 1ª geração:

01 Chamada Indianista (ou Gonçalviana). 02 Elementos tipicamente nacionais são exaltados e ampliados pelo prisma da idealização. 04 Forte religiosidade. 08 Gonçalves de Magalhães foi o introdutor do Romantismo no Brasil. 16 Castro Alves foi um importante autor desta geração.

( )

4. Sobre o Romantismo no Brasil, foram feitas as seguintes afirmações. Assinale as incorretas:

 01 Na 1ª Geração (Indianista), houve o predomínio do nacionalismo, da exaltação da natureza e do índio, que era descrito como um herói nacional. O principal autor foi Gonçalves Dias. 02 Na prosa, destacou-se José de Alencar, que teve 4 momentos: indianista, histórico, rural e urbano. 04 A objetividade é um dos traços fundamentais. A realidade é revelada através da atitude pessoal do artista, que traz à tona o seu mundo interior.  08 Exaltação nacionalista e indianista; Idealização da mulher; Atmosfera noturna; Presença da morte;  Tímida participação social com caráter de libertação: características das três gerações poéticas.   16 Joaquim Manuel de Macedo e Manuel Antônio de Almeida foram outros dois principais autores da prosa romântica. O primeiro publicou “Memórias de um sargento de milícias” e o segundo “A moreninha”.

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5. Marque a alternativa correta.

a. Castro Alves e Álvares de Azevedo eram poetas românticos, porém cada um pertencia a uma geração. Apesar disso, os poetas possuíam uma temática semelhante e a figura da mulher era de um ser angelical na poesia de ambos. b. A terceira geração romântica também pode ser chamada de mal-do-século ou byronista. c. José de Alencar foi o autor capaz de traduzir em versos o ufanismo e caracterizar o índio como herói nacional aos moldes, porém, do cavaleiro medieval europeu. d. Castro Alves possui uma literatura de cunho social e buscava através de sua poesia falar sobre a questão da escravidão.

6. Relacione, em um texto de 3 a 5 linhas, a letra da música abaixo com a 2ª Geração do Romantismo.

Iolanda (Chico Buarque)

Esta canção nao é mais que mais uma canção Quem dera fosse uma declaração de amor Romântica, sem procurar a justa forma Do que lhe vem de forma assim tão caudalosa Te amo, te amo, eternamente te amo

Se me faltares, nem por isso eu morro Se é pra morrer, quero morrer contigo Minha solidão se sente acompanhada Por isso às vezes sei que necessito Teu colo, teu colo, eternamente teu colo

Quando te vi, eu bem que estava certo De que me sentiria descoberto A minha pele vais despindo aos poucos Me abres o peito quando me acumulas De amores, de amores, eternamente de amores

Se alguma vez me sinto derrotado Eu abro mão do sol de cada dia Rezando o credo que tu me ensinaste Olho teu rosto e digo à ventania Iolanda, Iolanda, eternamente Iolanda ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________

7. Entre os grandes poetas românticos temos Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias e Castro Alves. Podemos dizer que os três autores possuíam a mesma temática em suas poesias? Justifique sua resposta. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________